Mercado financeiro eleva previsão da inflação para 4,86% em 2026

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    Em meio às tensões no Oriente Médio, a estimativa no Boletim Focus sobe pela sétima semana seguida e se afasta ainda mais do teto da meta de 4,50% do Banco Central

    Banco Central suspende mais três instituições financeiras do Pix
    A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (13), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

    A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026, referência oficial da inflação no país, aumentou pela sétima semana consecutiva, de 4,80% para 4,86%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.

    A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (13), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

    Considerando apenas as 122 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana passou de 4,85% para 4,89%.

    A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 aumentou pela quinta semana consecutiva, de 3,99% para 4,0%. Há um mês, era de 3,84%. Considerando apenas as 118 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, permaneceu em 4,0%.

    O Banco Central prevê inflação de 3,9% em 2026 e de 3,3% no acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre de 2027, o horizonte relevante da política monetária. A projeção para o IPCA do ano que vem é de 3,3%.

    A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

    No Focus desta segunda-feira, 27, a mediana para o IPCA de 2028 passou de 3,60% para 3,61%. Um mês antes, era de 3,57%. A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 34ª semana consecutiva.

    Selic segue em 13% e no fim de 2027, em 11%

    A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,0%, às vésperas das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Um mês antes, era de 12,50%. O mercado vem calibrando as expectativas para a trajetória dos juros, em meio à pressão inflacionária causada pela disparada dos preços do petróleo.

    Considerando só as 110 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim de 2026 também permaneceu em 13,0%.

    A mediana do Focus para a taxa Selic no fim de 2027 se estabilizou em 11,0%. Um mês atrás, era de 10,50%. Considerando apenas as 107 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também continuou em 11,0%.

    Na última decisão, do dia 18 de março, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano. Foi a primeira diminuição dos juros em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário, por causa do conflito no Oriente Médio, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz.

    O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse, durante entrevista coletiva no dia 26 de março, que o “conservadorismo” da autoridade monetária durante 2025 compraria tempo para analisar o cenário e entender os efeitos da alta do petróleo sobre os preços domésticos. “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom”, ele afirmou.

    Na última pesquisa Projeções Broadcast, 33 de 37 instituições financeiras esperavam um novo corte de 0,25 ponto na Selic esta semana, que levaria a taxa a 14,50%. Dois outros respondentes previam uma redução maior, de 0,50 ponto, e dois, manutenção dos juros em 14,75%.

    No Focus desta segunda-feira, a mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,0% pela 14ª leitura seguida. A estimativa para 2029 caiu de 9,88% para 9,75%. Um mês antes, também era de 9,75%.

    PIB de 2026 cai de 1,86% para 1,85%

    A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 oscilou de 1,86% para 1,85%. Um mês antes, era de 1,85%. Considerando apenas as 81 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa passou de 1,89% para 1,87%.

    O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.

    A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 permaneceu em 1,80% pela 17ª semana consecutiva. Levando em conta apenas as 78 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária passou de 1,74% para 1,73%.

    As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,0%, pela 111ª e 58ª semana seguida, respectivamente.

    Dólar passa de R$ 5,30 para R$ 5,25

    A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu pela terceira semana seguida, de R$ 5,30 para R$ 5,25, em meio à valorização da moeda brasileira frente à divisa americana. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (27). Na última sexta-feira, 24, o dólar fechou cotado a R$ 4,9982.

    Um mês antes, a mediana para o dólar no fim de 2026 era de R$ 5,40. Considerando apenas as 94 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária passou de R$ 5,25 para R$ 5,24.

    A mediana para o dólar no fim de 2027 se estabilizou em R$ 5,35, após duas semanas de queda. Um mês antes, era de R$ 5,45. A estimativa intermediária para o fim de 2028 se manteve em R$ 5,40, enquanto a projeção para 2029 passou de R$ 5,45 para R$ 5,41.

    A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

    *Estadão Conteúdo

     





    Fonte: Jovem Pan