Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas

Nos últimos tempos a palavra “terras raras” passou a fazer parte do dia a dia do noticiario brasileiro e ganhando cada vez mais protagonismo global, principalmente depois que uma mineiradora dos Estados Unidos – USA Rare Earth – comprar a Serra Verde Group, mineradora brasileira responsável pela única operação em escala fora da Ásia capaz de produzir os quatro elementos magnéticos de terras raras essenciais para ímãs permanentes. O valor da transação é de cerca de US$ 2,8 bilhões e deve ser concluído no terceiro trimestre de 2026.
Em resposta ao ocorrido, o Supremo Tribunal Federal (STF) votou, por unanimidade, pela constitucionalidade de lei de 1971 que impõe condições à venda de imóveis rurais a estrangeiros e empresas de capital internacional. Em março, a Advocacia-Geral da União havia defendido que as restrições estão previstas na Constituição de 1988 e devem ser mantidas para proteger a soberania territorial, coibir a especulação fundiária e prevenir esquemas de lavagem de dinheiro, informou a AGU em comunicado à imprensa.
Segundo o SGB, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas. Isso representa cerca de 23% das reservas globais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
A maior parte das terras raras no Brasil está concentrada em:
- Minas Gerais;
- Goiás;
- Amazonas;
- Bahia;
- Sergipe.
Esses estados têm os principais tipos de depósitos com potencial econômico.
Mas afinal, o que são terras raras, mineirais estratégicos e criticos?
Terras raras
Embora frequentemente tratados como sinônimos, os três conceitos cumprem papéis diferentes na geopolítica e na economia global. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão do governo federal responsável por avaliar o potencial mineral do país, Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica:
- 15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio);
- Escândio;
- Ítrio.
Eles são essenciais para tecnologia de ponta, como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar do nome, não são necessariamente raros na natureza, mas costumam estar dispersos, o que dificulta a exploração econômica.
Terras raras podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto. Ou seja, toda terra rara pode ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é terra rara.
Minerais estratégicos
Minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico dos países e que tenham importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética.
Minerais críticos
Minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento:
- Concentração geográfica da produção;
- Dependência externa;
- Instabilidade geopolítica;
- Limitações tecnológicas;
- Interrupção no fornecimento;
- Dificuldade de substituição.
A definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país, e a lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda.
Porém, alguns exemplos mais comuns atualmente são:
- Llítio;
- Cobalto;
- Grafita;
- Níquel;
- Nióbio.
Entre os minerais que costumam ser considerados críticos ou estratégicos na maior parte dos países, o Brasil se destaca por ter as maiores reservas de nióbio do mundo (94%), com 16 milhões de toneladas. Também é o segundo no ranking global de reservas de grafita (26%), com 74 milhões de toneladas, e o terceiro quando se trata de reservas de níquel (12%), com 16 milhões de toneladas.
Hoje, a China lidera amplamente o refino e a produção de terras raras, o que gera preocupação em outras potências, como Estados Unidos e União Europeia, que buscam diversificar fornecedores. Nesse cenário, o Brasil aparece como um ator relevante.