{"id":833,"date":"2026-01-14T17:28:45","date_gmt":"2026-01-14T17:28:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/?p=833"},"modified":"2026-01-14T17:28:56","modified_gmt":"2026-01-14T17:28:56","slug":"empreendedora-cria-negocio-de-moda-praia-com-estetica-afrocentrada-que-foca-em-corpos-reais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/2026\/01\/14\/empreendedora-cria-negocio-de-moda-praia-com-estetica-afrocentrada-que-foca-em-corpos-reais\/","title":{"rendered":"Empreendedora cria neg\u00f3cio de moda praia com est\u00e9tica afrocentrada que foca em &#8216;corpos reais&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando pisou na \u00c1frica do Sul pela primeira vez, em 2017, Mayara Trindade, 33 anos, viveu algo que afirma jamais ter experimentado no Brasil: a sensa\u00e7\u00e3o de ser apenas mais uma pessoa no aeroporto. Cercada por tripulantes, funcion\u00e1rios e modelos negras em outdoors, ela viu refletido do lado de fora algo que nunca tinha visto do lado de dentro \u2014 pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A viagem, que seguiria at\u00e9 a Austr\u00e1lia, onde morou por oito meses, plantou a semente de um inc\u00f4modo que mais tarde viraria\u00a0neg\u00f3cio: a aus\u00eancia de mulheres negras na moda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da revenda ao desejo de criar algo pr\u00f3prio<\/h2>\n\n\n\n<p>Ainda na faculdade, entre 2014 e 2015, a ent\u00e3o estudante revendia pe\u00e7as do Br\u00e1s e do Bom Retiro, regi\u00f5es de com\u00e9rcio popular de S\u00e3o Paulo. Fotografava tudo no pr\u00f3prio corpo, no da m\u00e3e ou da irm\u00e3, e era justamente isso que chamava a aten\u00e7\u00e3o das clientes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs mulheres negras falavam: ah, agora eu consigo imaginar como fica em mim\u201d, relembra a empreendedora. O Instagram engatinhava, modelos diversas eram raras e a pauta racial estava longe de ocupar o espa\u00e7o que tem hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>A revenda seguiu at\u00e9 2016, quando a futura criadora da&nbsp;<strong>Afrikini&nbsp;<\/strong>decidiu viver a experi\u00eancia no exterior. Na volta ao Brasil, em 2018, rec\u00e9m-formada e j\u00e1 com dom\u00ednio do ingl\u00eas, ela engatou processos seletivos de trainee, at\u00e9 descobrir que estava gr\u00e1vida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-pegn.glbimg.com\/oFv5lCCaMgJRWGxLI2AZMxOCo6E=\/0x0:720x1280\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_ba41d7b1ff5f48b28d3c5f84f30a06af\/internal_photos\/bs\/2025\/P\/g\/pjA5skSuibq9vTsb1uqg\/b0c4ebd3-ae5b-4333-8632-8edace0537e5.jpg\" alt=\"A empreendedora compartilha que seu filho \u00e9 a principal raz\u00e3o da exist\u00eancia do neg\u00f3cio \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A empreendedora compartilha que seu filho \u00e9 a principal raz\u00e3o da exist\u00eancia do neg\u00f3cio \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A frustra\u00e7\u00e3o virou pausa. Em 2019, ela passou o ano inteiro em casa cuidando do filho e reorganizando a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de 2020, \u00e0s v\u00e9speras do Carnaval, veio o estopim. Ap\u00f3s ganhar 3 kg na gesta\u00e7\u00e3o, a empreendedora decidiu comprar um biqu\u00edni para se desafiar a retomar os treinos. Mas ao buscar refer\u00eancias, encontrou apenas modelos magras, brancas e com corpos completamente diferentes do seu.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEu estava rec\u00e9m-parida, n\u00e3o conseguia me ver em nenhuma marca. Aquilo me frustrou profundamente\u201d, conta.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Foi diante dessa frustra\u00e7\u00e3o e da lembran\u00e7a viva dos outdoors de Joanesburgo, que ela tomou uma decis\u00e3o:&nbsp;<strong>criar uma marca onde mulheres negras e com &#8220;corpos reais&#8221; fossem protagonistas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O in\u00edcio da Afrikini<\/h2>\n\n\n\n<p>Sem plano financeiro, a\u00a0empreendedora\u00a0come\u00e7ou procurando estamparias que tivessem refer\u00eancias africanas. Descobriu que n\u00e3o havia. Perdeu dinheiro testando profissionais, designers e modelagens at\u00e9 encontrar quem fosse capaz de criar estampas exclusivas inspiradas na ancestralidade que queria celebrar.<\/p>\n\n\n\n<p>O in\u00edcio foi intuitivo e emocional, segundo ela. \u201cEu pedia dinheiro ao meu pai e \u00e0 minha m\u00e3e. Uma hora achava que precisava de cem reais, depois trezentos\u2026 N\u00e3o sei nem dizer quanto investi no come\u00e7o\u201d, conta. O processo incluiu perdas, como tecidos inadequados e modelagens que n\u00e3o funcionaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando lan\u00e7ou a cole\u00e7\u00e3o em dezembro de 2020, perdeu o timing do ver\u00e3o, mas sabia que precisava \u201ceducar\u201d o p\u00fablico sobre aquela proposta in\u00e9dita. A primeira venda chegou s\u00f3 em janeiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O casting que revelou uma demanda reprimida<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o primeiro ensaio, a fundadora abriu um formul\u00e1rio pedindo volunt\u00e1rias, mulheres reais. Esperava cerca de dez inscritas, recebeu mais de 500 candidaturas. O volume mostrou que seu inc\u00f4modo n\u00e3o era individual: havia uma dor coletiva ali.<\/p>\n\n\n\n<p>A sele\u00e7\u00e3o buscava espontaneidade: mulheres desinibidas, que se sentissem confort\u00e1veis em frente a uma c\u00e2mera e que pudessem continuar gerando conte\u00fado com as pe\u00e7as depois. \u201cEu queria que qualquer mulher olhasse a foto e pensasse: essa poderia ser minha amiga.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-pegn.glbimg.com\/JT_LsBdBsf_ZirxCp3KCNkk-a7I=\/0x0:6152x4101\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_ba41d7b1ff5f48b28d3c5f84f30a06af\/internal_photos\/bs\/2025\/u\/E\/8uiznVQ6SehsvR6KFjRw\/img-1158-3-.jpeg\" alt=\"Para cada cole\u00e7\u00e3o, Trindade investe num ensaio de fotos para a divulga\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Para cada cole\u00e7\u00e3o, Trindade investe num ensaio de fotos para a divulga\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os ensaios, feitos em mans\u00f5es e casas alugadas, sempre tiveram comida, maquiagem e fotografia profissional, tudo pago por ela. \u201c\u00c9 o dia de princesa das meninas. Eu trato como gostaria de ser tratada\u201d, diz. At\u00e9 hoje, a marca banca 100% do processo, o que gera um investimento de R$ 3 mil a cada cole\u00e7\u00e3o nova.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da opera\u00e7\u00e3o artesanal \u00e0 estrutura profissional<\/h2>\n\n\n\n<p>A opera\u00e7\u00e3o cresceu. O e-commerce, constru\u00eddo por ela mesma, de forma autodidata, agora \u00e9 apenas mais uma vertente do neg\u00f3cio. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 terceirizada, com toda gest\u00e3o de modelista, costureiras, prazos, controle de qualidade feita pela empreendedora e sua equipe de tr\u00eas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela mesma testa absolutamente tudo: provando pe\u00e7as, lavando, verificando caimento e elasticidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPara construir reputa\u00e7\u00e3o, demora anos. Para perder, \u00e9 um biqu\u00edni errado.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Hoje, a marca funciona com planejamento: cole\u00e7\u00f5es idealizadas tr\u00eas meses antes, estoques prontos antes do pico do ver\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o alinhada ao calend\u00e1rio comercial.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-pegn.glbimg.com\/EQ0xCgRhwQp73mb3Xuolw4YiduI=\/0x0:1024x1024\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_ba41d7b1ff5f48b28d3c5f84f30a06af\/internal_photos\/bs\/2025\/q\/B\/A8bZd4SBeFr458BjodFw\/whatsapp-image-2025-12-09-at-16.18.29.jpeg\" alt=\"Todas as pe\u00e7as da marca s\u00e3o produzidas 100% manualmente \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Todas as pe\u00e7as da marca s\u00e3o produzidas 100% manualmente \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O neg\u00f3cio: crescimento, n\u00fameros e maturidade<\/h2>\n\n\n\n<p>O que come\u00e7ou com 10 pe\u00e7as vendidas por m\u00eas hoje chega a cerca de 200 itens mensalmente, com picos maiores na temporada de calor. Os ensaios, que custavam R$ 500 nos primeiros anos, hoje giram em torno de R$ 3 mil e modelagens completas custam R$ 3.800.<\/p>\n\n\n\n<p>As estampas afrocentradas continuam exclusivas, as modelagens v\u00e3o do PP ao XG e os lan\u00e7amentos acontecem entre duas e tr\u00eas vezes ao ano. O fitness entrou no cat\u00e1logo em 2023, como forma de ampliar o tquete m\u00e9dio e reduzir sazonalidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-pegn.glbimg.com\/HscMn0YzCeFRxzil6KyDtr8UPi8=\/0x0:7008x4672\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_ba41d7b1ff5f48b28d3c5f84f30a06af\/internal_photos\/bs\/2025\/d\/H\/SShoIKQgKjYExZ1pzv0Q\/dsc03524-1-.jpeg\" alt=\"A cole\u00e7\u00e3o fitness \u00e9 a nova estrat\u00e9gia do neg\u00f3cio \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A cole\u00e7\u00e3o fitness \u00e9 a nova estrat\u00e9gia do neg\u00f3cio \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A fundadora mant\u00e9m a opera\u00e7\u00e3o enxuta, mas profissionalizada. Continua sem loja f\u00edsica \u2014 algo que nunca fez parte dos planos, segundo ela \u2014 e aposta em feiras e eventos como o Festival Feira Preta para aproxima\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/revistapegn.globo.com\/mulheres-empreendedoras\/noticia\/2025\/12\/empreendedora-cria-negocio-de-moda-praia-com-estetica-afrocentrada-que-foca-em-corpos-reais.ghtml\">PEGN<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando pisou na \u00c1frica do Sul pela primeira vez, em 2017, Mayara Trindade, 33 anos, viveu algo que afirma jamais ter experimentado no Brasil: a sensa\u00e7\u00e3o de ser apenas mais uma pessoa no aeroporto. 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