{"id":2861,"date":"2026-06-14T17:04:06","date_gmt":"2026-06-14T17:04:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/2026\/06\/14\/alemanha-e-japao-voltam-a-se-rearmar-80-anos-apos-a-segunda-guerra-mundial\/"},"modified":"2026-06-14T17:04:06","modified_gmt":"2026-06-14T17:04:06","slug":"alemanha-e-japao-voltam-a-se-rearmar-80-anos-apos-a-segunda-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/2026\/06\/14\/alemanha-e-japao-voltam-a-se-rearmar-80-anos-apos-a-segunda-guerra-mundial\/","title":{"rendered":"Alemanha e Jap\u00e3o voltam a se rearmar, 80 anos ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"\">\n<p>Berlim \u2014 Em 1940, os regimes imperiais da Alemanha e do Jap\u00e3o se uniram no que viria a ser conhecido como o Eixo, ligados pela oposi\u00e7\u00e3o comum aos Estados Unidos. Travaram uma guerra mundial, foram derrotados e passaram os 85 anos seguintes com for\u00e7as armadas reduzidas e forte depend\u00eancia de seu antigo inimigo, os EUA, para garantir sua seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Agora, a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos voltou a crescer nos dois pa\u00edses, ao mesmo tempo em que aumentam os temores diante da ascens\u00e3o da China e da postura agressiva da R\u00fassia. T\u00f3quio e Berlim correm para reconstruir suas capacidades militares. E, mais uma vez, estreitam seus la\u00e7os.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que essa coopera\u00e7\u00e3o ganhe impulso nesta semana, durante a reuni\u00e3o dos l\u00edderes do G7 em Evian, na Fran\u00e7a. Ela j\u00e1 inclui o compartilhamento de conhecimento, tecnologia e armamentos \u2014 como drones e helic\u00f3pteros \u2014 considerados essenciais para os esfor\u00e7os de rearmamento de ambos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, por\u00e9m, de uma reedi\u00e7\u00e3o do Eixo. Desta vez, Jap\u00e3o e Alemanha se aproximam a partir de uma postura defensiva: Berlim apoia a defesa da Ucr\u00e2nia contra a R\u00fassia, enquanto T\u00f3quio est\u00e1 em alerta para as amea\u00e7as representadas por China e Coreia do Norte. Os dois tamb\u00e9m v\u00eam se alinhando a outras \u201cpot\u00eancias m\u00e9dias\u201d com vis\u00f5es semelhantes, como Reino Unido, Canad\u00e1 e Fran\u00e7a \u2014 antigos inimigos na Segunda Guerra. E procuram se apresentar como defensores do direito internacional e das institui\u00e7\u00f5es multilaterais, vistas como barreiras contra a intimida\u00e7\u00e3o exercida pelas maiores pot\u00eancias do mundo.<\/p>\n<p>Como afirmou Boris Pistorius, ministro da Defesa da Alemanha, em mar\u00e7o, durante visita a uma base naval japonesa, pa\u00edses como Alemanha e Jap\u00e3o, \u201cque continuam comprometidos com a ordem internacional baseada em regras, precisam se aproximar ainda mais e deixar claro o que defendem\u201d.<\/p>\n<p>Alemanha e Jap\u00e3o sa\u00edram da devasta\u00e7\u00e3o da Segunda Guerra com o foco voltado para a reconstru\u00e7\u00e3o de cidades arrasadas e para o crescimento econ\u00f4mico. Deixaram que os Estados Unidos e outros aliados assumissem grande parte do peso de garantir a seguran\u00e7a de suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div data-ds-component=\"ad\" data-ad-type=\"RETANGULO_BF\" class=\"max-w-2xl [&amp;_iframe]:mx-auto z-0 bg-wl-neutral-50 text-xs leading-4 py-4 px-14 text-center text-wl-neutral-500 mx-auto mb-6 xl:px-0 justify-center min-h-[320px]\">\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>Depois da divis\u00e3o da Alemanha, os EUA constru\u00edram grandes bases militares e mantiveram dezenas de milhares de soldados na Alemanha Ocidental, que se tornou uma linha de frente da Guerra Fria contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Os governos da Alemanha Ocidental e da Alemanha Oriental mantinham seus pr\u00f3prios grandes ex\u00e9rcitos, mas, ap\u00f3s a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria, o pa\u00eds reunificado passou a gastar muito mais com programas sociais do que com defesa.<\/p>\n<p>No Jap\u00e3o do p\u00f3s-guerra, foi adotada uma Constitui\u00e7\u00e3o imposta pelos Estados Unidos e elaborada sob a supervis\u00e3o do general Douglas MacArthur. O texto obrigava os japoneses a renunciar \u00e0 guerra e proibia a manuten\u00e7\u00e3o de for\u00e7as armadas, exceto para fins defensivos. Isso levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o das For\u00e7as de Autodefesa, nome oficial das for\u00e7as militares do pa\u00eds at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes ao conflito, movimentos antimilitaristas ganharam for\u00e7a nos dois pa\u00edses, promovendo ideais de paz, diplomacia, livre com\u00e9rcio e interc\u00e2mbio cultural.<br \/>Mas esse sentimento foi perdendo for\u00e7a nos \u00faltimos anos, sobretudo desde a invas\u00e3o em larga escala da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, em 2022, e da postura militar e econ\u00f4mica cada vez mais assertiva da China sob a lideran\u00e7a de Xi Jinping.<\/p>\n<div data-ds-component=\"ad\" data-ad-type=\"RETANGULO_BF\" class=\"max-w-2xl [&amp;_iframe]:mx-auto z-0 bg-wl-neutral-50 text-xs leading-4 py-4 px-14 text-center text-wl-neutral-500 mx-auto mb-6 xl:px-0 justify-center min-h-[320px]\">\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>As amea\u00e7as do presidente Donald Trump de abandonar compromissos de seguran\u00e7a na Europa e sua disposi\u00e7\u00e3o para fechar um acordo comercial com Xi aceleraram, nos dois pa\u00edses, o impulso em dire\u00e7\u00e3o ao rearmamento.<\/p>\n<p>Thomas Berger, professor da Universidade de Boston que estuda a hist\u00f3ria do p\u00f3s-guerra no Jap\u00e3o e na Alemanha, afirmou que os dois pa\u00edses foram respons\u00e1veis por \u201ctalvez a maior cat\u00e1strofe do s\u00e9culo 20\u201d \u2014 refer\u00eancia \u00e0 Segunda Guerra Mundial \u2014 e que suas derrotas \u201cdestru\u00edram seus ideais e cren\u00e7as no imp\u00e9rio e na militariza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Mas a mudan\u00e7a recente no cen\u00e1rio global de seguran\u00e7a, em especial a volatilidade de Trump, aumentou o senso de ansiedade e urg\u00eancia entre os l\u00edderes relativamente novos dos dois pa\u00edses, ambos conservadores e inclinados a priorizar a defesa. \u201cExiste esse medo justific\u00e1vel de que os Estados Unidos possam abandon\u00e1-los\u201d, disse Berger.<\/p>\n<div data-ds-component=\"ad\" data-ad-type=\"RETANGULO_BF\" class=\"max-w-2xl [&amp;_iframe]:mx-auto z-0 bg-wl-neutral-50 text-xs leading-4 py-4 px-14 text-center text-wl-neutral-500 mx-auto mb-6 xl:px-0 justify-center min-h-[320px]\">\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>Pouco antes de assumir o cargo, h\u00e1 um ano, o chanceler alem\u00e3o Friedrich Merz liderou com sucesso um esfor\u00e7o para suspender os limites ao endividamento p\u00fablico da Alemanha, a fim de ampliar drasticamente os gastos militares. Em alguns anos, o or\u00e7amento de defesa alem\u00e3o poder\u00e1 superar, somado, o da Fran\u00e7a e o do Reino Unido.<br \/>O Jap\u00e3o compromete metade desse valor, mas ainda assim figura entre os maiores gastadores em defesa no mundo, com um or\u00e7amento de cerca de US$ 58 bilh\u00f5es neste ano.<\/p>\n<p>A primeira-ministra Sanae Takaichi, uma pol\u00edtica conservadora, chegou ao poder no ano passado com apelos nacionalistas para revitalizar as for\u00e7as armadas. Ela posicionou m\u00edsseis de longo alcance \u2014 capazes de alcan\u00e7ar a China \u2014 no sul do Jap\u00e3o e reverteu proibi\u00e7\u00f5es do p\u00f3s-guerra \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de armamentos.<\/p>\n<p>Tanto Merz quanto Takaichi fizeram quest\u00e3o de tentar manter rela\u00e7\u00f5es cordiais com Trump, mas ambos tamb\u00e9m passaram a buscar, cada vez mais, alian\u00e7as militares para al\u00e9m de Washington.<\/p>\n<div data-ds-component=\"ad\" data-ad-type=\"RETANGULO_BF\" class=\"max-w-2xl [&amp;_iframe]:mx-auto z-0 bg-wl-neutral-50 text-xs leading-4 py-4 px-14 text-center text-wl-neutral-500 mx-auto mb-6 xl:px-0 justify-center min-h-[320px]\">\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/web-stories\/estude-no-exterior\/\" width=\"360\" height=\"600\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n<p>Recentemente, o Jap\u00e3o fechou um acordo de US$ 6,5 bilh\u00f5es para fornecer navios de guerra \u00e0 Austr\u00e1lia e negocia com Filipinas e Indon\u00e9sia a exporta\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es militares. A Alemanha estreitou os la\u00e7os com a Ucr\u00e2nia no desenvolvimento e na implanta\u00e7\u00e3o de novos armamentos e pediu \u00e0 Fran\u00e7a ajuda para lhe oferecer dissuas\u00e3o nuclear.<\/p>\n<p>China e R\u00fassia acusaram Takaichi de tentar ressuscitar o militarismo da era da Segunda Guerra. Ela, por\u00e9m, afirma que suas pol\u00edticas s\u00e3o necess\u00e1rias porque o Jap\u00e3o enfrenta o ambiente de seguran\u00e7a \u201cmais severo e complexo\u201d desde aquele per\u00edodo, citando as amea\u00e7as da China e da Coreia do Norte.<\/p>\n<p>\u201cHoje, nenhum pa\u00eds consegue proteger sozinho sua pr\u00f3pria paz e seguran\u00e7a\u201d, disse ela recentemente. \u201cN\u00e3o houve absolutamente nenhuma mudan\u00e7a em nosso compromisso de seguir o caminho que trilhamos como uma na\u00e7\u00e3o amante da paz por mais de 80 anos.\u201d<\/p>\n<p>A sociedade alem\u00e3 abra\u00e7ou o rearmamento com relut\u00e2ncia, mas mais rapidamente do que a japonesa.<\/p>\n<p>Pesquisas recentes sugerem que a maioria dos alem\u00e3es v\u00ea o mundo atual como mais perigoso do que era durante a Guerra Fria. Tamb\u00e9m indicam que dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o apoiam o aumento dos gastos militares, embora as For\u00e7as Armadas alem\u00e3s, que n\u00e3o adotam o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, tenham dificuldade para convencer os jovens a se alistar.<\/p>\n<p>Em T\u00f3quio, nesta primavera, dezenas de milhares de pessoas protestaram contra as pol\u00edticas de seguran\u00e7a de Takaichi, incluindo a decis\u00e3o de exportar mais armas e de criar uma ag\u00eancia nacional de intelig\u00eancia. Os manifestantes temem que Takaichi tente, em seguida, abolir o Artigo 9\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o, que renuncia \u00e0 guerra.<\/p>\n<p>Nahoko Hishiyama, 37, que ajudou a organizar alguns dos protestos, afirmou que as pol\u00edticas de Takaichi \u201cs\u00e3o profundamente preocupantes, porque buscam transformar o Jap\u00e3o em uma pot\u00eancia militar\u201d.<\/p>\n<p>Alexandra Sakaki, pesquisadora do Instituto Alem\u00e3o de Assuntos Internacionais e de Seguran\u00e7a, em Berlim, e estudiosa do Jap\u00e3o, afirmou que o rearmamento exigir\u00e1 novas mudan\u00e7as de mentalidade tanto na Alemanha quanto no Jap\u00e3o, especialmente se as autoridades passarem a considerar pol\u00edticas como o alistamento obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cEles precisam repensar completamente a rela\u00e7\u00e3o entre militares e sociedade\u201d, disse ela. \u201cEstar\u00e3o prontos para o combate? Estar\u00e3o prontos para lutar? Jap\u00e3o e Alemanha precisam que a opini\u00e3o p\u00fablica apoie essa vis\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 um pa\u00eds que aplaudiu as mudan\u00e7as na Alemanha e no Jap\u00e3o: os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Trump h\u00e1 muito pressiona aliados a gastar mais com a pr\u00f3pria defesa, para que as For\u00e7as Armadas americanas possam se concentrar em outras frentes. Em encontro com Merz no ano passado, ele elogiou a disparada dos gastos militares alem\u00e3es \u2014 embora n\u00e3o sem alguma ressalva. Em tom de piada, Trump observou que uma Alemanha remilitarizada talvez n\u00e3o agradasse aos l\u00edderes americanos que derrotaram a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho certeza de que o general MacArthur diria que isso \u00e9 algo positivo, sabe?\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><em>Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.<\/em><\/p>\n<p>c.2026 The New York Times Company<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/business\/global\/alemanha-e-japao-voltam-a-se-rearmar-80-anos-apos-a-segunda-guerra-mundial\/\">Fonte: Jovem Pan <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim \u2014 Em 1940, os regimes imperiais da Alemanha e do Jap\u00e3o se uniram no que viria a ser conhecido como o Eixo, ligados pela oposi\u00e7\u00e3o comum aos Estados Unidos. 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