{"id":2012,"date":"2026-05-30T20:00:53","date_gmt":"2026-05-30T20:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/2026\/05\/30\/endividamento-familiar-recorde-o-que-explica-indice-e-o-que-pode-ser-feito\/"},"modified":"2026-05-30T20:00:53","modified_gmt":"2026-05-30T20:00:53","slug":"endividamento-familiar-recorde-o-que-explica-indice-e-o-que-pode-ser-feito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/2026\/05\/30\/endividamento-familiar-recorde-o-que-explica-indice-e-o-que-pode-ser-feito\/","title":{"rendered":"Endividamento familiar recorde; o que explica \u00edndice e o que pode ser feito"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<p>\u00cdndice \u00e9 impulsionado pela alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do cr\u00e9dito rotativo, pela press\u00e3o do custo de vida e pelo avan\u00e7o das apostas online (bets) sobre o or\u00e7amento dom\u00e9stico<\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"393\">\n<div class=\"post_image\"><span class=\"image_fonte\">Drazen Zigic\/Freepik<\/span><picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2025\/02\/123-31-311x207.jpg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2025\/02\/123-31-676x450.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive type:primaryImage\" src=\"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2025\/02\/123-31-676x450.jpg\" alt=\"CONTAS-C\u00c1LCULOS-D\u00cdVIDAS\" id=\"zoom-img\"><br \/>\n                                        <\/source><\/source><\/picture><\/div>\n<p><?xml encoding=\"UTF-8\"???><\/p>\n<p><strong>O Brasil atingiu, em 2026, o maior \u00edndice de endividamento das fam\u00edlias desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica<\/strong> da Pesquisa de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (Peic). Em abril, <strong>80,9% das fam\u00edlias brasileiras declararam possuir algum tipo de d\u00edvida<\/strong>, segundo o levantamento feito pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC).<\/p>\n<p>Esse \u00edndice \u00e9 impulsionado pela <strong>alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do cr\u00e9dito rotativo, pela press\u00e3o do custo de vida e pelo avan\u00e7o das apostas online (bets)<\/strong> sobre o or\u00e7amento dom\u00e9stico. O aumento do comprometimento da renda das fam\u00edlias tamb\u00e9m acendeu um alerta sobre os impactos econ\u00f4micos e sociais do superendividamento no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Diante do cen\u00e1rio, especialistas apontam que o problema vai al\u00e9m do consumo e j\u00e1 <strong>afeta diretamente o crescimento econ\u00f4mico, o mercado de trabalho e a capacidade de investimento<\/strong> das fam\u00edlias brasileiras. Ao mesmo tempo, o <strong>Congresso Nacional discute medidas para ampliar a prote\u00e7\u00e3o aos consumidores endividados e fortalecer programas de renegocia\u00e7\u00e3o<\/strong>, como o Novo Desenrola Brasil, relan\u00e7ado pelo governo federal em maio deste ano (MP 1.355\/2026)<\/p>\n<p>Para o senador Fl\u00e1vio Arns (PSB-PR), propostas estruturais s\u00e3o necess\u00e1rias para impedir que milh\u00f5es de brasileiros permane\u00e7am presos em ciclos permanentes de inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>\u2014 Em um pa\u00eds com os juros mais altos do mundo, precisamos avan\u00e7ar em mecanismos permanentes de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias e em pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o financeira para evitar o efeito bola de neve das d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Por outro lado, o senador Rog\u00e9rio Marinho (PL-RN) entende que programas de renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas n\u00e3o reduzem a inadimpl\u00eancia nem enfrentam o problema estrutural do endividamento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 [O primeiro Desenrola] levava em considera\u00e7\u00e3o a possibilidade de haver uma troca de d\u00edvidas antigas por d\u00edvidas novas, com taxas de juros melhoradas. O resultado \u00e9 que, dois anos ap\u00f3s, o calote do que foi renegociado cresceu 15%.<\/p>\n<h2>D\u00edvidas e inadimpl\u00eancia<\/h2>\n<p><strong>O m\u00eas de abril de 2026 registrou um marco cr\u00edtico para as finan\u00e7as dom\u00e9sticas no Brasil<\/strong>, atingindo o recorde hist\u00f3rico de 80,9% de fam\u00edlias endividadas. Este foi o quarto m\u00eas consecutivo de alta na s\u00e9rie da Peic, superando significativamente os patamares registrados no mesmo per\u00edodo entre 2022, quando a pesquisa passou a fazer o boletim mensal, e 2025.<\/p>\n<p>Embora o n\u00famero total de endividados tenha crescido, a <strong>inadimpl\u00eancia apresentou uma relativa estabilidade na margem,<\/strong> com 29,7% das fam\u00edlias possuindo contas em atraso, comparado aos 29,1% de abril do ano anterior. No entanto, um dado preocupante \u00e9 que 12,3% dessas fam\u00edlias declararam que n\u00e3o ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de quitar suas d\u00edvidas.<\/p>\n<h2>Custo do cr\u00e9dito<\/h2>\n<p>O cen\u00e1rio de <strong>endividamento recorde registrado no Brasil em abril de 2026 \u00e9 acompanhado por um custo de cr\u00e9dito elevado<\/strong>. As diferentes modalidades de taxas de juros revelam a profundidade da press\u00e3o sobre o or\u00e7amento dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>De acordo com os dados do Banco Central, o <strong>cart\u00e3o de cr\u00e9dito rotativo consolida-se como a linha mais dura do mercado<\/strong>, com taxas que podem atingir entre 428% e 440,5% ao ano. O cart\u00e3o \u00e9 o principal fator de endividamento para 83,6% das fam\u00edlias e compromete, sozinho, 54% da renda familiar.<\/p>\n<p>Segundo a economista Catarina Carneiro, da CNC, o peso do cart\u00e3o de cr\u00e9dito acaba reduzindo diretamente a capacidade de consumo das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u2014 Essa grande parcela de d\u00edvidas acumulada no cart\u00e3o, a modalidade com a maior taxa de juros do mercado, freia a inten\u00e7\u00e3o de consumo para os pr\u00f3ximos meses, fazendo com que as fam\u00edlias analisem com cautela suas condi\u00e7\u00f5es de arcar com os pagamentos futuros e consumam menos do que fariam com cr\u00e9dito menos custoso \u2014 explica.<\/p>\n<p><strong>Outras modalidades de cr\u00e9dito voltadas ao consumo tamb\u00e9m apresentam patamares alarmantes:<\/strong> o cart\u00e3o parcelado registra juros de 181,2% ao ano, enquanto o cheque especial e o cr\u00e9dito pessoal n\u00e3o consignado mant\u00eam-se em n\u00edveis de aproximadamente 130% e 106,6%, respectivamente. Mesmo a taxa de cr\u00e9dito livre m\u00e9dio para pessoas f\u00edsicas, que serve como um term\u00f4metro geral para o consumidor, situa-se no patamar de 59,4% ao ano.<\/p>\n<p>Para o economista Rodrigo Saraiva Marinho, CEO do Instituto Livre Mercado \u2014 organiza\u00e7\u00e3o que acompanha debates sobre economia, cr\u00e9dito e ambiente de neg\u00f3cios \u2014, o problema dos<strong> juros elevados come\u00e7a no pr\u00f3prio desequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas brasileiras.<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o h\u00e1 como falar sobre esse tema sem falar no n\u00edvel de endividamento do pr\u00f3prio Estado brasileiro. O Estado \u00e9 muito endividado e isso faz com que os juros sejam muito altos. O governo n\u00e3o consegue se sustentar com aquilo que arrecada de tributos e precisa de empr\u00e9stimos para complementar seus gastos \u2013 afirma.<\/p>\n<p>Maria L\u00facia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidad\u00e3 da D\u00edvida, <strong>os juros e a d\u00edvida p\u00fablica se alimentam mutuamente,<\/strong> tornando a solu\u00e7\u00e3o do problema cada vez mais inexequ\u00edvel.<\/p>\n<p>\u2014 Os juros altos praticados historicamente no pa\u00eds constituem o principal fator de crescimento da d\u00edvida p\u00fablica. O volume acumulado de juros nominais da d\u00edvida supera o estoque da d\u00edvida liquida do setor p\u00fablico, ou seja, temos uma d\u00edvida de juros sobre juros. O Tribunal de Contas da Uni\u00e3o j\u00e1 demonstrou em audi\u00eancia p\u00fablica ao Senado Federal que nenhuma despesa or\u00e7ament\u00e1ria classificada como investimentos foi custeada com recursos advindos da venda de t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica. Isso significa que a d\u00edvida p\u00fablica tem servido apenas para financiar os gastos financeiros com a pr\u00f3pria divida, principalmente os juros exorbitantes.<\/p>\n<p><strong>Essa estrutura de juros \u00e9 sustentada por fatores macroecon\u00f4micos persistentes,<\/strong> como o endividamento do pa\u00eds e o valor comparativo da moeda com o d\u00f3lar, e pela a taxa Selic (taxa b\u00e1sica definida pelo Banco Central). Para Marcos Melo, professor do IBMEC Bras\u00edlia e mestre em finan\u00e7as, a taxa b\u00e1sica de juros \u00e9 hoje um dos principais fatores por tr\u00e1s do avan\u00e7o do endividamento no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u2014 A taxa b\u00e1sica Selic no Brasil \u00e9 de 14,5% ao ano, uma taxa muito alta. Ela \u00e9 uma refer\u00eancia para todas as outras taxas de juros no Brasil. Quando ela est\u00e1 muito elevada, os bancos passam a emprestar a taxas ainda maiores, o que prejudica diretamente as fam\u00edlias e empresas.<\/p>\n<p>A refer\u00eancia da Selic eleva o custo do cr\u00e9dito de forma generalizada e coloca o Brasil com a segunda maior taxa real de juros do mundo (9,3%), atr\u00e1s apenas da R\u00fassia.<\/p>\n<h2>Renda comprometida<\/h2>\n<p>O comprometimento da renda das fam\u00edlias brasileiras com o <strong>pagamento de d\u00edvidas apresenta uma trajet\u00f3ria de crescimento consistente<\/strong>, e tamb\u00e9m atinge recordes em 2026. Essa m\u00e9trica representa a rela\u00e7\u00e3o entre os pagamentos esperados para o servi\u00e7o da d\u00edvida e a renda mensal dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Segundo dados do Banco Central, a fatia de renda das fam\u00edlias que est\u00e1 comprometida com d\u00edvidas <strong>saltou de aproximadamente 22% em 2019 para 29,7% no fim de 2025.<\/strong> Isso significa que quase um ter\u00e7o do or\u00e7amento dom\u00e9stico j\u00e1 est\u00e1 carimbado para as d\u00edvidas antes mesmo de outras despesas b\u00e1sicas serem pagas.<\/p>\n<p><strong>O avan\u00e7o do comprometimento da renda tamb\u00e9m afeta diretamente a atividade econ\u00f4mica,<\/strong> especialmente o com\u00e9rcio e os servi\u00e7os. Com menos renda dispon\u00edvel, as fam\u00edlias reduzem gastos considerados n\u00e3o essenciais. O professor Marcos Melo avalia que os juros elevados acabam afetando toda a din\u00e2mica econ\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u2014 Al\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, a taxa de juros t\u00e3o alta significa menor oferta de emprego, prejudica a renda do trabalhador e permite uma disfun\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho \u2014 afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da press\u00e3o dos juros, novos fatores estruturais \u2014 como o impacto das apostas online (bets) no consumo e a alta nos custos de vida com alimenta\u00e7\u00e3o e moradia \u2014 t\u00eam for\u00e7ado as fam\u00edlias, especialmente as de baixa renda, a utilizarem o cr\u00e9dito como complemento salarial. Como resultado, o endividamento total das fam\u00edlias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda acumulada atingiu o recorde hist\u00f3rico de 49,9%, sinalizando que metade de tudo o que as fam\u00edlias recebem e produzem em um ano j\u00e1 est\u00e1 comprometido com d\u00edvidas.<\/p>\n<p><strong>Fatores internacionais, como conflitos e oscila\u00e7\u00f5es no mercado global, tamb\u00e9m impactam diretamente<\/strong> pre\u00e7os e consumo no Brasil e podem pressionar ainda mais a economia brasileira e afetar diretamente o or\u00e7amento das fam\u00edlias.<\/p>\n<h2>Novo Desenrola<\/h2>\n<p><strong>Programas de refinanciamento de d\u00edvidas e a\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia social s\u00e3o ferramentas para ajudar as pessoas a organizarem<\/strong> suas vidas financeiras quando as contas saem do controle. O principal exemplo atual \u00e9 o <strong>Novo Desenrola Brasil (Programa Extraordin\u00e1rio de Reequil\u00edbrio Financeiro das Fam\u00edlias),<\/strong> lan\u00e7ado em maio de 2026, que funciona como um grande mutir\u00e3o para que brasileiros, estudantes e at\u00e9 pequenas empresas consigam negociar o que devem com condi\u00e7\u00f5es facilitadas.<\/p>\n<p>A iniciativa foi institu\u00edda pela Medida Provis\u00f3ria (MP) 1.355\/2026, publicada em 4 de maio e j\u00e1 em vigor. A MP criou o Programa Extraordin\u00e1rio de Reequil\u00edbrio Financeiro das Fam\u00edlias \u2013 Novo Desenrola Brasil, vinculado ao Minist\u00e9rio da Fazenda, com o objetivo de promover a renegocia\u00e7\u00e3o e regulariza\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas em atraso junto ao sistema financeiro.<\/p>\n<p>Segundo o senador Fl\u00e1vio Arns, programas como o Novo Desenrola possuem impacto social imediato relevante, especialmente entre as fam\u00edlias de baixa renda, mas s\u00e3o apenas o come\u00e7o.<\/p>\n<p>\u2014 Seus efeitos ainda s\u00e3o paliativos. S\u00e3o necess\u00e1rias medidas estruturais de m\u00e9dio e longo prazo, voltadas para gera\u00e7\u00e3o de emprego, aumento da renda, acesso ao cr\u00e9dito mais barato e educa\u00e7\u00e3o financeira da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O senador Rog\u00e9rio Marinho critica escolhas feitas na formata\u00e7\u00e3o do Novo Desenrola.<\/p>\n<p>\u2014 O governo nos oferece velhas f\u00f3rmulas, as mesmas pr\u00e1ticas, e n\u00f3s j\u00e1 sabemos o resultado. V\u00e3o usar recursos de saque do FGTS para pagamento de d\u00edvidas, ou seja, segregar o recurso para fortalecer o sistema financeiro brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Para que o aux\u00edlio chegue a quem precisa, o programa foi dividido em diferentes categorias:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>O Desenrola Fam\u00edlias \u00e9 focado em pessoas que ganham at\u00e9 cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos e possuem d\u00edvidas atrasadas de cart\u00e3o de cr\u00e9dito, cheque especial ou empr\u00e9stimos;<\/li>\n<li>O Desenrola Fies ajuda estudantes a regularizarem seus financiamentos educativos, oferecendo descontos que podem chegar a 99% para quem est\u00e1 h\u00e1 muito tempo sem conseguir pagar;<\/li>\n<li>Existem tamb\u00e9m vers\u00f5es espec\u00edficas para ajudar pequenos neg\u00f3cios e produtores rurais a recuperarem seu cr\u00e9dito.<\/li>\n<\/ul>\n<p>As vantagens oferecidas por esses programas s\u00e3o pensadas para que o pagamento caiba no bolso do cidad\u00e3o. <strong>Entre os principais benef\u00edcios est\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Descontos generosos: As d\u00edvidas podem ser reduzidas em at\u00e9 90% do valor total;<\/li>\n<li>Juros mais baixos: O programa define um teto de juros de 1,99% ao m\u00eas, taxa muito menor do que a do cart\u00e3o de cr\u00e9dito rotativo, que pode passar de 400% ao ano;<\/li>\n<li>Nome limpo mais r\u00e1pido: Para d\u00edvidas de at\u00e9 R$ 100, o nome do consumidor \u00e9 retirado dos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito (como SPC e Serasa) logo no in\u00edcio do programa;<\/li>\n<li>Uso do FGTS: O trabalhador pode usar uma parte do seu saldo do FGTS para ajudar a pagar a d\u00edvida negociada.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Al\u00e9m de facilitar o pagamento, esses programas tamb\u00e9m trazem medidas de prote\u00e7\u00e3o social.<\/strong> Uma regra importante de 2026 \u00e9 que quem participar da renegocia\u00e7\u00e3o ter\u00e1 o seu CPF bloqueado para realizar apostas online (bets) por 12 meses. O objetivo \u00e9 garantir que o dinheiro economizado com o desconto da d\u00edvida seja usado para o bem-estar da fam\u00edlia e n\u00e3o gasto em atividades de alto risco.<\/p>\n<p><strong>A MP do Novo Desenrola tem previs\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o de 90 dias,<\/strong> e ainda precisa ser analisada e aprovada pelas duas Casas do Congresso Nacional para se tornar lei definitiva.<\/p>\n<h2>Peso das bets<\/h2>\n<p>O cen\u00e1rio de recorde hist\u00f3rico no endividamento das fam\u00edlias brasileiras \u00e9 sustentado por uma <strong>combina\u00e7\u00e3o de fatores macroecon\u00f4micos persistentes e novas causas estruturais.<\/strong> No centro desse problema est\u00e1 a <strong>manuten\u00e7\u00e3o da taxa Selic em patamares elevados,<\/strong> recentemente ajustada para 14,5% a 14,75% ao ano, o que encarece o cr\u00e9dito de forma generalizada. Para o professor Marcos Melo, do IBMEC, a redu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel dos juros depende diretamente do equil\u00edbrio fiscal do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 preciso um trabalho muito grande de maior responsabilidade fiscal, gastar menos e gastar melhor, para que num futuro mais adiante seja poss\u00edvel diminuir a taxa b\u00e1sica de juros. S\u00f3 assim os problemas relacionados ao endividamento das fam\u00edlias, das empresas e do crescimento do pa\u00eds acabam sendo resolvidos ao longo do tempo\u00a0\u2014 avalia.<\/p>\n<p>Esse custo elevado do dinheiro se agrava pela alta concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, que permite aos cinco maiores bancos do pa\u00eds manterem um spread banc\u00e1rio de 34,6 pontos percentuais. O spread representa a diferen\u00e7a entre o custo que os bancos pagam para captar dinheiro e os juros cobrados dos clientes nos empr\u00e9stimos. Esse valor \u00e9 drasticamente superior \u00e0 m\u00e9dia global de 6 p.p., calculada pelo Banco Mundial.<\/p>\n<p>Como reflexo direto dessas taxas, <strong>o uso do cart\u00e3o de cr\u00e9dito cria uma \u201cbola de neve\u201d\u00a0financeira<\/strong> que atinge severamente as fam\u00edlias de baixa renda (at\u00e9 3 sal\u00e1rios m\u00ednimos), que muitas vezes recorrem ao cr\u00e9dito para cobrir despesas como alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e moradia.<\/p>\n<p>Somando-se aos fatores tradicionais, as <strong>apostas online (bets) surgiram como uma nova e relevante causa estrutural entre 2024 e 2025,<\/strong> passando a ser o principal fator associado ao endividamento em certas faixas da popula\u00e7\u00e3o e superando o impacto do acesso ao cr\u00e9dito comum. De acordo com a economista Catarina Carneiro,\u00a0da CNC, embora os juros altos continuem sendo o principal fator de inadimpl\u00eancia, as apostas passaram a agravar significativamente o problema.<\/p>\n<p>\u2014 As apostas online deixaram de ser um gasto de entretenimento residual e passaram a atuar como um dreno severo na restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria das fam\u00edlias brasileiras, afetando de forma desproporcional as classes de menor renda.<\/p>\n<p>Um estudo econom\u00e9trico realizado pela CNC estima que, desde a regulamenta\u00e7\u00e3o das plataformas em 2023, cerca de R$ 30 bilh\u00f5es por m\u00eas deixaram de circular no consumo tradicional para abastecer sites de apostas.<\/p>\n<h2>Propostas do Senado<\/h2>\n<p>Para tentar mitigar esse ciclo,<strong> tramitam no Poder Legislativo propostas como o PL 2.944\/2022,<\/strong> que trata do superendividamento de consumidores. O projeto redefine o chamado \u201cm\u00ednimo existencial\u201d, que \u00e9 a quantia que n\u00e3o pode ser comprometida na renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas e na concess\u00e3o de cr\u00e9dito. Atualmente, um decreto estabelece o m\u00ednimo existencial no valor de 25% do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Autor do projeto, o ex-senador Mecias de Jesus (RR),\u00a0argumenta que o crescimento do endividamento das fam\u00edlias brasileiras exige mecanismos capazes de impedir que consumidores comprometam recursos indispens\u00e1veis \u00e0 pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia para conseguir quitar d\u00edvidas banc\u00e1rias. Para ele, um valor fixo \u2014 e t\u00e3o reduzido\u00a0 \u2014 n\u00e3o atende a esse objetivo.<\/p>\n<p>\u201cO valor estabelecido foi considerado por especialistas em direito do consumidor muito baixo para o pagamento de despesas b\u00e1sicas, o que compromete a efetividade da lei e as condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia dos brasileiros superendividados. O conceito n\u00e3o deveria se basear em um crit\u00e9rio fixo, mas sim em um \u00edndice de comprometimento de renda a ser aplicado caso a caso. Esse modelo levaria em conta a realidade de cada consumidor individualmente\u201d, escreveu Mecias na justificativa para o projeto.<\/p>\n<p><strong>O projeto j\u00e1 foi aprovado pela Comiss\u00e3o de Assuntos Sociais (CAS) e aguarda decis\u00e3o final na Comiss\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o e Controle (CTFC).<\/strong><\/p>\n<p>Para o senador Fl\u00e1vio Arns, que participou da aprova\u00e7\u00e3o do texto na CAS, a proposta \u00e9 necess\u00e1ria diante do avan\u00e7o do superendividamento no pa\u00eds. O senador tamb\u00e9m defende o fortalecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o financeira como forma de preven\u00e7\u00e3o ao descontrole das finan\u00e7as pessoais.<\/p>\n<p>\u2014 O Congresso discute pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o financeira, inclusive projetos para torn\u00e1-la obrigat\u00f3ria na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e tamb\u00e9m no ensino superior. A l\u00f3gica dessas propostas \u00e9 preventiva: formar h\u00e1bitos de consumo, poupan\u00e7a e uso do cr\u00e9dito antes que o endividamento se torne estrutural.<\/p>\n<p>Outra iniciativa \u00e9 o PL 2.356, de 2024, do senador Jayme Campos (Uni\u00e3o-MT), que incorpora a educa\u00e7\u00e3o financeira ao curr\u00edculo de todos os n\u00edveis da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. O projeto j\u00e1 foi aprovado pela Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos (CAE) e est\u00e1 na Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o (CE).<\/p>\n<p>\u201cA escola n\u00e3o cumprir\u00e1 sua miss\u00e3o civilizadora se for incapaz de formar cidad\u00e3os preparados para se inserir na vida produtiva de forma empreendedora e com compet\u00eancias financeiras\u201d, argumenta ele na justificativa.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"https:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/all.js#xfbml=1\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/jovempan.com.br\/noticias\/economia\/endividamento-familiar-recorde-o-que-explica-indice-e-o-que-pode-ser-feito.html\">Fonte: Jovem Pan <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00cdndice \u00e9 impulsionado pela alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do cr\u00e9dito rotativo, pela press\u00e3o do custo de vida e pelo avan\u00e7o das apostas online (bets) sobre o or\u00e7amento dom\u00e9stico Drazen Zigic\/Freepik O Brasil atingiu, em 2026, o maior \u00edndice de endividamento das fam\u00edlias desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica da Pesquisa de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2013,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2025\/02\/123-31.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":{"0":"post-2012","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2012","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2012"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2012\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2013"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2012"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2012"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2012"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}