{"id":1734,"date":"2026-04-30T10:19:51","date_gmt":"2026-04-30T10:19:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/2026\/04\/30\/a-criatividade-deixou-de-ser-talento-e-virou-infraestrutura\/"},"modified":"2026-04-30T10:19:51","modified_gmt":"2026-04-30T10:19:51","slug":"a-criatividade-deixou-de-ser-talento-e-virou-infraestrutura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistacomercio.com.br\/index.php\/2026\/04\/30\/a-criatividade-deixou-de-ser-talento-e-virou-infraestrutura\/","title":{"rendered":"A criatividade deixou de ser talento e virou infraestrutura"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"141\">\n<div class=\"post_image\"><picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2026\/04\/screenshot-2026-04-26-135359-345x174.png\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2026\/04\/screenshot-2026-04-26-135359-750x378.png\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive type:primaryImage\" src=\"https:\/\/jpimg.com.br\/uploads\/2026\/04\/screenshot-2026-04-26-135359-750x378.png\" alt=\"b\" id=\"zoom-img\"><br \/>\n                                        <\/source><\/source><\/picture><\/div>\n<p><?xml encoding=\"UTF-8\"???><\/p>\n<p>Quando o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial publicou a edi\u00e7\u00e3o de 2025 do relat\u00f3rio <i>Future of Jobs<\/i>, ouvindo mais de mil empregadores que respondem por 14 milh\u00f5es de trabalhadores em 55 economias, o pensamento criativo apareceu em quarto lugar entre as compet\u00eancias centrais exigidas hoje \u2014 e entre as que mais devem crescer em import\u00e2ncia at\u00e9 2030. N\u00e3o como um adorno das \u00e1reas de design ou marketing, mas como requisito transversal, ao lado de pensamento anal\u00edtico, resili\u00eancia e lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>O dado desloca a conversa. Criatividade, durante d\u00e9cadas, foi tratada como predicado de artistas, publicit\u00e1rios e fundadores de startup. Hoje, \u00e9 item de planilha de RH.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mica, n\u00e3o filos\u00f3fica. O mesmo relat\u00f3rio estima que 39% das compet\u00eancias exigidas pelo mercado at\u00e9 2030 ser\u00e3o diferentes das atuais, e aponta que 63% dos empregadores consideram a lacuna de habilidades a maior barreira para transformar seus neg\u00f3cios. Nesse cen\u00e1rio, o que antes se chamava de \u201cpensar fora da caixa\u201d virou, na pr\u00e1tica, a ferramenta mais rotineira de adapta\u00e7\u00e3o a um ambiente onde a caixa muda de formato a cada trimestre.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial acelerou esse reposicionamento \u2014 e aqui mora um paradoxo que a maior parte das empresas ainda n\u00e3o processou. Modelos generativos fazem, em segundos, o que antes consumia dias de trabalho qualificado: resumos, an\u00e1lises, c\u00f3digos, textos. O problema \u00e9 que toda IA, por defini\u00e7\u00e3o, olha para tr\u00e1s. Ela \u00e9 treinada em dados do passado, reconhece padr\u00f5es do passado e recombina o que j\u00e1 foi dito, feito ou escrito. \u00c9 uma m\u00e1quina estat\u00edstica de repeti\u00e7\u00e3o sofisticada. Deixada sozinha, produz m\u00e9dias convincentes \u2014 textos corretos, imagens familiares, solu\u00e7\u00f5es previs\u00edveis.<\/p>\n<p>Quem cria o futuro, portanto, continua sendo gente. O insight que ainda n\u00e3o est\u00e1 no dataset, a hip\u00f3tese contraintuitiva, o salto que conecta dois campos que ningu\u00e9m tinha conectado antes \u2014 isso \u00e9 pensamento humano. A IA \u00e9 um multiplicador extraordin\u00e1rio de quem tem algo original a dizer, e um multiplicador igualmente eficiente da mediocridade de quem n\u00e3o tem. Empresas que acreditam que podem substituir criatividade por modelos generativos descobrir\u00e3o, em pouco tempo, que est\u00e3o produzindo mais r\u00e1pido o mesmo conte\u00fado que todos os concorrentes est\u00e3o produzindo mais r\u00e1pido. A diferencia\u00e7\u00e3o desaparece.<\/p>\n<p>H\u00e1 um equ\u00edvoco comum, no entanto, sobre o que significa ser criativo dentro de uma empresa. A imagem popular \u2014 algu\u00e9m iluminado propondo a ideia genial na reuni\u00e3o de segunda \u2014 descreve mal o fen\u00f4meno. Criatividade corporativa \u00e9, antes, m\u00e9todo: \u00e9 a disciplina de questionar premissas, de permitir hip\u00f3teses contradit\u00f3rias na mesa e de testar rapidamente antes de decidir. \u00c9 o oposto do improviso. Exige processo, tempo de pensar e toler\u00e2ncia deliberada ao erro.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente essa toler\u00e2ncia que falta na maior parte das organiza\u00e7\u00f5es brasileiras. Cultuamos a execu\u00e7\u00e3o e tratamos o erro como falha de car\u00e1ter, n\u00e3o como insumo de aprendizado. O resultado \u00e9 previs\u00edvel: equipes que entregam r\u00e1pido o que j\u00e1 sabiam fazer e demoram a reagir quando o contexto muda. Em um ciclo econ\u00f4mico est\u00e1vel, isso at\u00e9 funciona. Em 2026, com IA commoditizando a execu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o funciona mais.<\/p>\n<p>Empresas que entenderam o movimento est\u00e3o fazendo algo concreto, e n\u00e3o apenas decorando a parede com a palavra \u201cinova\u00e7\u00e3o\u201d. Est\u00e3o redesenhando processos de avalia\u00e7\u00e3o de desempenho para premiar hip\u00f3teses testadas, e n\u00e3o s\u00f3 metas batidas. Est\u00e3o deslocando decis\u00f5es para baixo na hierarquia, onde ficam os profissionais mais pr\u00f3ximos do cliente. Est\u00e3o investindo em diversidade cognitiva \u2014 contratar quem pensa diferente, e n\u00e3o apenas quem tem o curr\u00edculo igual ao dos atuais diretores.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ponto final que costuma passar despercebido. O pensamento criativo n\u00e3o \u00e9, como \u00e0s vezes se diz, a habilidade que \u201cnos torna humanos\u201d. \u00c9 uma habilidade como qualquer outra: trein\u00e1vel, mensur\u00e1vel, degrad\u00e1vel pelo desuso. Pa\u00edses que levarem a s\u00e9rio a forma\u00e7\u00e3o dessa compet\u00eancia \u2014 na escola b\u00e1sica, na universidade, dentro das empresas \u2014 ter\u00e3o vantagem comparativa. Os que continuarem tratando-a como dom inato, destinado a poucos, pagar\u00e3o a conta.<\/p>\n<p>A criatividade parou de ser uma qualidade admir\u00e1vel para virar infraestrutura produtiva. A IA construiu uma ponte eficiente com tudo o que a humanidade j\u00e1 fez. O futuro, por\u00e9m, continua sendo territ\u00f3rio exclusivo de quem pensa. Quem ainda v\u00ea a criatividade como luxo est\u00e1, sem perceber, descrevendo um mercado que n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<p><i><strong>*Esse texto n\u00e3o reflete, necessariamente, a opini\u00e3o da Jovem Pan.<\/strong><i><\/i><\/i><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"https:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/all.js#xfbml=1\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/jovempan.com.br\/noticias\/economia\/negocios\/a-criatividade-deixou-de-ser-talento-e-virou-infraestrutura.html\">Fonte: Jovem Pan <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial publicou a edi\u00e7\u00e3o de 2025 do relat\u00f3rio Future of Jobs, ouvindo mais de mil empregadores que respondem por 14 milh\u00f5es de trabalhadores em 55 economias, o pensamento criativo apareceu em quarto lugar entre as compet\u00eancias centrais exigidas hoje \u2014 e entre as que mais devem crescer em import\u00e2ncia at\u00e9 2030. 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