Os últimos meses não foram fáceis para a Cosan (CSAN3). As ações da companhia chegaram a cair cerca de 50% após a oferta subsequente de ações (follow-on), no final de 2025. Depois de entregar resultados mais fracos do que o esperado no primeiro trimestre deste ano, a sensação ainda era de pessimismo.
Mas o cenário mudou. Com avanços relevantes na agenda de desinvestimento da companhia, os investidores (e o mercado) passaram a apostar em uma virada.
Nesta quarta-feira (17), a empresa comunicou a venda de 12% do seu portfólio de propriedades agrícolas. No mesmo dia, os papéis fecharam a sessão com ganhos de 6,12%, a R$ 3,47, enquanto o Ibovespa caiu 0,7%.
Para o BTG Pactual, com esse anúncio, o caminho para destravar o valor da estrutura societária da Cosan tem se tornado mais claro. Ainda que a estrutura de capital requira a venda de ativos para reduzir o endividamento, o banco acredita que a situação está muito mais controlada do que antes. O banco reiterou nesta semana recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 8, um potencial de alta de 13% em relação ao fechamento de quinta-feira.
Segundo os analistas, alguns ativos já podem ser monetizados no curto prazo, o que deve ajudar a equilibrar o fluxo de caixa. Mesmo após a captação de R$ 13 bilhões com o follow-on e do IPO da Compass, as despesas financeiras continuam superiores aos dividendos.
Incorporando os desinvestimentos anunciados, os níveis atuais da curva de juros brasileira e um aumento de 200 pontos-base na estimativa de custo de capital próprio (Ke), o preço-alvo para a Cosan estipulado pelo Bradesco BBI cairia de R$ 7 para R$ 4,1 a ação. Mesmo com a redução, esse valor ainda implicaria um potencial de valorização de aproximadamente 20% em relação aos níveis atuais.
Assim, embora parte relevante da performance negativa recente seja justificada pela piora do cenário e pela dinâmica de curto prazo mais pressionada, os analistas do BBI entendem que o preço atual já incorpora uma visão conservadora dos investidores, abrindo um ponto de entrada mais atrativo em termos de assimetria.
O papel, para os analsitas, combina um desconto relevante frente ao valor dos ativos, alavancagem operacional a uma eventual melhora nas condições financeiras e uma agenda clara de simplificação do portfólio, que pode destravar valor ao longo do tempo.
Além disso, de maneira geral, ainda que o cenário não seja tão favorável, a avaliação é de que a situação continua sendo altamente administrável.
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Redução da dívida
Seguindo a linha otimista, o Bank of America (BofA) retomou a cobertura da Cosan com recomendação de compra, apostando também na estratégia da companhia em reduzir sua dívida, com base no recebimento de dividendos e venda de ativos.
Para o final de 2026, o BofA estipulou um preço-alvo de R$ 5,50, um potencial de alta de 62% frente o fechamento de quinta. De acordo com os analistas, a nova avaliação reflete o valor das subsidiárias da empresa e a melhora progressiva do perfil de geração de caixa.
Mas nem tudo vem fácil. Para o banco, a tese de investimento da Cosan ainda depende de gatilhos de valor. Essa avaliação leva em consideração a afirmação da própria companhia, que tem como objetivo reduzir a divida líquida a zero. Os cálculos do BofA estimam uma dívida líquida de R$ 9,5 bilhões ao final de 2026.
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Para alcançar esse objetivo, a Cosan pretende impulsionar o recebimento de dividendos das subsidiárias e realizar algumas operações de monetização de portfólio. Este último, vendendo parcial ou totalmente ativos para gerar caixa.
Venda de ativos
Para os analistas do BofA, a Compass deve se tornar o principal gerador de valor dentro do portfólio da Cosan. Essa avaliação se sustenta em seu forte perfil de crescimento e elevada capacidade de geração de caixa.
Mas, conforme o BTG, isso deve acontecer em médio ou longo prazo. Em um período mais curto, as controladas Radar e Rumo se tornam candidatos fortes para monetização.
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No caso da Radar, por exemplo, sob a ótica da estrutura de capital, a companhia historicamente gera um rendimento de dividendos de aproximadamente 3% ao ano. Comparando com o custo da dívida da holding, em torno de 16% ao ano, o carry negativo fica em torno de 13%.
Para o BTG, a venda de aproximadamente 70 a 80 mil hectares de terra, mesmo com um desconto de 15% sobre o valor de avaliação, seria suficiente para melhorar o fluxo de caixa da Cosan em cerca de R$ 500 milhões.
Recentemente, também surgiram notícias sobre uma possível venda da participação da Cosan na Rumo. De acordo com os analistas, considerando o elevado custo da dívida da holding, a Rumo surge naturalmente como uma das alternativas mais rápidas para fortalecer a estrutura de capital da Cosan.
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A Moove, por sua vez, é tida como um ativo de alta qualidade e elevado potencial de monetização no médio prazo, segundo o BTG.
Riscos de execução
Com base na estratégia da Cosan, os analistas do BofA especulam que, caso não ocorra a venda de ativos, a melhora adicional do fluxo de caixa dependerá do aumento dos dividendos recebidos da Compass e da Rumo.
Ao final do primeiro trimestre, a Cosan registrou fluxo de caixa negativo de R$ 1,9 bilhão. A projeção do banco é de que os dividendos alcancem R$ 2,8 bilhões até 2028, ante R$ 1,2 bilhão acumulado nos últimos 12 meses.
O tempo também deve ter uma participação relevante nesta tese. De acordo com o BofA, a Cosan apresenta uma geração de caixa limitada no curto prazo. Além disso, a companhia possui um custo médio da dívida de 15,5% ao ano.