10 ações de dividendos ainda batem o CDI com Selic a 14,25% ao ano

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    Em uma Super Quarta que reuniu as duas maiores decisões de política monetária do mundo, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17), para 14,25% ao ano, enquanto o Federal Reserve manteve os juros americanos inalterados. Com o CDI recuando para a faixa de 14,10% ao ano, a renda fixa segue atrativa, mas o número de ações capazes de bater esse retorno com dividendos permanece restrito. Levantamento da Economatica elaborado pelo InfoMoney identificou 10 ações com dividend yield (DY) projetado acima do novo patamar do CDI.

    O estudo considerou papéis presentes no Ibovespa, no Índice de Dividendos (Idiv) e no Índice Brasil 100 (IBrX 100), e utilizou como base o DY calculado sobre o preço atual das ações com os proventos distribuídos nos últimos 12 meses. O número projetado assume que a política de dividendos e os lucros das empresas se mantenham no mesmo patamar nos próximos 12 meses, o que não é garantido.

    Empresa DY projetado Div./ação Retorno 1 ano
    Grendene (GRND3) 39,73% R$ 1,54 -3,36%
    Vulcabras (VULC3) 32,76% R$ 4,83 +1,48%
    Log Com Prop (LOGG3) 25,72% R$ 6,95 +70,16%
    Lavvi (LAVV3) 23,52% R$ 2,57 +7,12%
    Marfrig (MBRF3) 17,61% R$ 2,81 -28,60%
    Unipar (UNIP6) 16,91% R$ 10,18 +20,46%
    Marcopolo ON (POMO3) 16,74% R$ 0,94 +15,77%
    Direcional (DIRR3) 16,49% R$ 2,22 +13,95%
    Marcopolo PN (POMO4) 16,25% R$ 0,94 -4,03%
    Even (EVEN3) 15,72% R$ 0,92 -9,22%
    Fonte: Economatica. Levantamento considera papéis do Ibovespa, Idiv e IBrX 100. DY calculado com base nos proventos distribuídos nos últimos 12 meses sobre a cotação de 16/06/2026. A projeção pressupõe manutenção da política de dividendos e dos lucros, o que não é garantido

    O destaque e os alertas da lista

    A Log Commercial Properties (LOGG3) é o caso mais expressivo entre as 10 ações. A desenvolvedora de galpões logísticos entregou retorno total de 70,16% nos últimos 12 meses, combinando forte valorização da cota com uma política de dividendos que distribuiu R$346 milhões em 2025, incluindo R$278,5 milhões em dezembro, equivalentes a R$3,18 por ação. Em junho de 2026, a empresa aprovou nova distribuição de R$250 milhões, sustentada pelo lucro recorde de R$134 milhões no primeiro trimestre. O DY elevado de 25,72%, porém, reflete em boa parte pagamentos extraordinários vinculados à venda de ativos e a uma política de payout de 50% do lucro que o CFO da companhia, Rafael Saliba, confirmou que não será mantida. A partir de 2026, a Log retorna ao payout mínimo de 25% do lucro para financiar um plano de expansão de R$850 milhões a R$1 bilhão por ano até 2028.

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    A Grendene (GRND3) volta a liderar o DY da lista, agora com 39,73%, mas pelo motivo errado. A ação perdeu valor nos últimos 12 meses e o retorno total incluindo dividendos ficou negativo em 3,36%. O DY mais alto em relação a abril simplesmente reflete a queda da cotação, de R$4,38 para R$3,87, sobre os mesmos dividendos extraordinários já distribuídos. O patamar de DY recorrente da empresa, descontadas as distribuições extraordinárias de 2025, historicamente fica entre 6% e 8% ao ano.

    A Marfrig (MBRF3) apresenta o sinal de alerta mais severo da lista. Com DY projetado de 17,61%, a empresa registrou perda de 28,60% no retorno total dos últimos 12 meses, o pior desempenho entre as dez ações. Trata-se do caso mais claro de yield trap da seleção: o dividend yield elevado é consequência da queda acentuada da cotação, não de uma política de proventos saudável. A Marcopolo PN (POMO4) e a Even (EVEN3) também entregaram retorno total negativo no período, de 4,03% e 9,22% respectivamente, ainda que em magnitude bem inferior.

    Como olhar além do DY

    Entre as dez ações da lista, seis apresentam tanto DY acima do CDI quanto retorno total positivo nos últimos 12 meses: Vulcabras, Log Com Prop, Lavvi, Unipar, Marcopolo ON e Direcional. São essas as que oferecem a combinação mais equilibrada de renda e preservação de capital, ainda que cada uma carregue suas próprias ressalvas sobre a sustentabilidade dos pagamentos futuros.

    O dividend yield projetado é ponto de partida, não de chegada. Consistência dos pagamentos, geração de caixa, nível de endividamento e qualidade do modelo de negócio definem o quanto o investidor consegue transformar o DY nominal em renda efetiva e estável ao longo do tempo. Papéis com DY alto e cotação em queda tendem a sinalizar deterioração dos fundamentos, não oportunidade de renda.



    Fonte: Jovem Pan