A possibilidade de uma aliança entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a federação formada por União Brasil e PP perdeu força nas últimas semanas. A informação é da CNN Brasil.
Nos bastidores, trazidos pelo jornal, dirigentes das duas siglas avaliam que o cenário mais provável hoje é a neutralidade na disputa presidencial de 2026, apesar de parte da federação enxergar potencial de recuperação eleitoral do pré-candidato do PL.
O principal obstáculo está no PP. De acordo com apuração da CNN Brasil, o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), resiste a qualquer aproximação formal com Flávio. Entre aliados do parlamentar, permanece a avaliação de que faltou solidariedade do senador do PL após a operação da Polícia Federal que teve Ciro como alvo em maio.
Na ocasião, Flávio afirmou que as acusações contra o presidente do PP eram “graves”. Dias depois, quando vieram a público os áudios em que Flávio cobrava recursos do empresário Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, Ciro reagiu em tom semelhante. “Se for culpado, tem que pagar exemplarmente”, declarou.
Falta de articulação também pesa
A resistência não se limita às divergências pessoais, segundo a emissora. Segundo interlocutores da federação, até agora a campanha de Flávio não procurou formalmente nem o União Brasil nem o PP para discutir uma eventual composição eleitoral. A ausência de conversas é vista como um sinal de que o PL pode estar disposto a disputar a eleição sem aliados de peso.
Essa percepção foi reforçada nas últimas semanas por movimentos internos do partido em torno da escolha do vice. Dirigentes da federação acreditam que o PL trabalha com a hipótese de lançar uma chapa exclusivamente composta por integrantes da legenda.
O nome mais citado nesse contexto é o da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), defendida publicamente pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Caso Vorcaro mudou ambiente político
Apesar das dificuldades atuais, dirigentes da federação reconheceram à CNN que o cenário era diferente antes da crise provocada pelo caso “Dark Horse”.
Levantamentos internos analisados pelo grupo indicam que Flávio sofreu desgaste após a divulgação dos áudios envolvendo Daniel Vorcaro, mas não em proporção suficiente para inviabilizar sua candidatura. Segundo integrantes da federação, o senador teria perdido cerca de cinco pontos nas pesquisas, recuperando parte desse espaço nas semanas seguintes.
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Ainda assim, a avaliação predominante é que a controvérsia reduziu o apetite político para uma aliança imediata.
Aliados de Ciro Nogueira argumentam que, sem uma melhora consistente no quadro eleitoral e sem uma negociação efetiva com a federação, a tendência é que União Brasil e PP permaneçam fora da chapa presidencial do PL.
Com a convenção partidária marcada para julho e a definição da vice ainda em aberto, Flávio terá poucas semanas para tentar reverter a resistência e ampliar sua coalizão para a disputa de 2026.
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