o que se sabe e o que falta definir

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    Após quase quatro meses de guerra, Estados Unidos e Irã anunciaram um “memorando de entendimento” para encerrar o conflito. A notícia foi recebida com alívio pelos mercados: as bolsas subiram, enquanto os preços do petróleo e os rendimentos dos títulos caíram. Mas, apesar da reação positiva, o acordo ainda está longe de totalmente resolvido. O texto não foi divulgado, a assinatura formal ainda não aconteceu e vários dos pontos mais sensíveis ficaram para as próximas negociações.

    O que foi anunciado?

    O que existe até agora é um memorando de entendimento entre Washington e Teerã, anunciado no domingo (14).

    Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, o texto foi concluído e será assinado na sexta-feira, em Genebra, na Suíça. Ele disse ainda que houve uma declaração de fim “permanente e imediato” da guerra em todas as frentes.

    Donald Trump, por sua vez, afirmou que os EUA vão suspender o bloqueio naval ao Irã.

    O que o acordo prevê?

    O entendimento inclui a interrupção imediata das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo. Trump disse que a passagem será reaberta sem cobrança de tarifas.

    Também foi acertada uma trégua de 60 dias para que os dois lados tentem avançar em uma negociação mais ampla, envolvendo o programa nuclear iraniano, sanções econômicas e segurança regional.

    O que ainda está em aberto?

    Mesmo com o anúncio, as dúvidas continuam grandes. O memorando não foi divulgado oficialmente, e boa parte do que se sabe até agora vem de falas públicas de autoridades envolvidas. Também não está claro se todos os detalhes foram realmente fechados.

    O Irã afirmou que as negociações sobre seu programa nuclear só podem avançar se os EUA liberarem bilhões de dólares em recursos congelados, mas Washington rejeitou essa condição. Trump voltou a dizer que o Irã “nunca terá uma arma nuclear” e afirmou que poderá atacar o país novamente se as conversas fracassarem.

    O Estreito de Ormuz já vai reabrir?

    Ainda não. Embora tanto Trump quanto autoridades iranianas tenham dito que a reabertura deve ocorrer depois da assinatura em Genebra, o estreito não foi formalmente liberado até agora.

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    A agência estatal iraniana Mehr afirmou que a retomada da navegação dependerá de “arranjos iranianos”. Como Hormuz é uma das principais rotas do petróleo no mundo, qualquer sinal sobre sua reabertura tem impacto direto nos mercados, principalmente sobre o preço do barril.

    A guerra acabou de vez?

    Por enquanto, não dá para dizer isso. O acordo pausou o confronto imediato entre EUA e Irã, mas os pontos mais delicados foram empurrados para uma nova rodada de negociação.

    Analistas avaliam que isso reduz a tensão no curto prazo, mas prolonga a incerteza. Na prática, o risco de retomada do conflito continua existindo caso não haja avanço sobre os temas centrais.

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    Qual o papel de Israel?

    Israel ficou de fora do acordo, e esse é um dos principais focos de risco. O país foi um dos protagonistas do conflito desde os primeiros ataques, em 28 de fevereiro, e suas ações no Líbano já haviam abalado o cessar-fogo em alguns momentos.

    Nesta segunda-feira (15), o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que as forças israelenses permanecerão em “zonas de segurança” no Líbano, em Gaza e na Síria, e prometeu reagir se houver ataques iranianos ligados aos desdobramentos do conflito.

    Como o mercado reagiu?

    Os investidores viram o acordo como um alívio importante para dois dos maiores riscos recentes: petróleo e inflação. A expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz ajuda a reduzir temores de interrupção na oferta global de energia, o que derruba o preço do barril e, por consequência, alivia parte da pressão inflacionária. Por isso, ações subiram, inclusive no Brasil, o petróleo caiu e os yields dos títulos globais recuaram.

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    O que acontece agora?

    O próximo marco é a cerimônia prevista para sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça. A lista de participantes ainda não foi divulgada e pode dar pistas sobre o tamanho do apoio político ao acordo dentro do Irã e entre os países da região.

    Nomes como o chanceler iraniano Abbas Araghchi são esperados, enquanto do lado americano ainda não há confirmação oficial. A presença de representantes de Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, se ocorrer, será vista como sinal de respaldo regional mais amplo.

    Até lá, o mercado seguirá monitorando três pontos: a assinatura do texto, a reabertura efetiva de Ormuz e o início das negociações sobre o programa nuclear iraniano.

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    Fonte: Jovem Pan