Diploma ainda abre portas, mas mercado exige profissionais capazes de gerar resultados

    Relacionados

    Compartilhe


    CEO do IPOG avalia que a educação precisa acompanhar a velocidade das mudanças nas empresas e formar profissionais capazes de aplicar conhecimento na prática

    Diploma ainda abre portas, mas mercado exige profissionais capazes de gerar resultados

    Em um mercado de trabalho cada vez mais pressionado pela transformação digital, pela inteligência artificial e por novos modelos de consumo, a formação profissional deixou de ser uma etapa isolada da carreira. O diploma ainda tem valor, mas já não funciona sozinho como diferencial competitivo. O que passa a pesar, cada vez mais, é a capacidade de aplicar conhecimento, resolver problemas reais e aprender continuamente.

    Essa é a visão de Ronan, CEO do IPOG, instituição com 24 anos de atuação no ensino superior e forte presença em pós-graduação. Para ele, o papel das instituições de ensino mudou de forma profunda nos últimos anos. Mais do que preparar profissionais para uma função específica, elas precisam desenvolver competências técnicas, digitais e humanas, em conexão direta com as necessidades das empresas.

    “A formação das pessoas será cada vez mais híbrida. Não basta ter conhecimento técnico. É preciso entender de negócio, ter fluência digital e sensibilidade humana”, afirma.

    Segundo o executivo, a velocidade das mudanças tornou insuficiente o antigo modelo em que o profissional concluía uma graduação, colocava o diploma na parede e considerava encerrado o ciclo de aprendizagem. Hoje, carreiras envelhecem mais rápido, novas ferramentas surgem em ritmo acelerado e empresas enfrentam dificuldades para encontrar pessoas preparadas para conduzir projetos de transformação.

    Nesse contexto, a educação precisa se aproximar mais da vida real. Para Ronan, a rede de ensino deve conectar teoria, prática e mercado, com professores que conheçam os desafios enfrentados pelas organizações. “O desafio é fazer com que o aluno saia da sala com repertório suficiente para aplicar o conhecimento no curto prazo”, diz.

    No instituto, segundo ele, essa preocupação é medida de forma direta, acompanhando o quanto o conteúdo aprendido tem chance de ser aplicado pelo aluno em até 90 dias no ambiente de trabalho. De acordo com o CEO, 92% dos estudantes afirmam conseguir usar o conhecimento adquirido nesse período.

    A mudança também aparece no comportamento dos alunos. O novo estudante é mais criterioso, mais digital e menos disposto a aceitar experiências engessadas. Ele busca flexibilidade, acesso rápido, personalização e formatos que se encaixem em diferentes momentos da carreira. Ao mesmo tempo, cresce o número de profissionais que retornam aos estudos para uma segunda formação, uma transição de carreira ou o aprofundamento em uma área específica.

    “Aquele modelo antigo, do aluno sentado e do professor falando na frente da sala, já não responde mais sozinho às demandas atuais. A educação tradicional precisa se transformar”, afirma Ronan.

    Para o executivo, a tecnologia ampliou o acesso ao conhecimento e também elevou o nível de exigência dos alunos. Plataformas digitais, ensino a distância, cursos de curta duração e novas formas de consumo de conteúdo mudaram a relação das pessoas com a aprendizagem. O aluno já não busca apenas um curso. Ele procura uma solução para um momento específico da carreira.

    A transformação também pressiona as empresas. Para Ronan, manter equipes desatualizadas em um ambiente marcado pela digitalização pode comprometer a longevidade do negócio. Isso vale tanto para a relação com o consumidor quanto para os processos internos.

    Sistemas integrados, atendimento ágil, uso de dados, automação e domínio de novas ferramentas passaram a fazer parte da rotina de praticamente todos os setores. “Sem transformação digital e sem preparar pessoas para esse novo ambiente, a empresa coloca em risco o próprio futuro”, avalia.

    Na área corporativa, uma das maiores demandas identificadas pelo IPOG está na formação de lideranças. Segundo Ronan, muitas organizações ainda sofrem com gestores pouco preparados para engajar equipes, desenvolver pessoas, lidar com conflitos e traduzir metas em resultado.

    Esse déficit impacta diretamente produtividade, atendimento ao cliente, retenção de talentos e desempenho financeiro. “Todo negócio quer resultado, mas, para ter resultado, precisa de pessoas engajadas. E a liderança é fator crítico nesse processo”, afirma.

    Além da liderança, temas como inteligência artificial, letramento digital, vendas, atendimento ao cliente e inovação aparecem entre as principais necessidades das empresas. O próprio IPOG, segundo o CEO, treinou mais de 1.500 pessoas, entre colaboradores e professores, em iniciativas ligadas ao uso de inteligência artificial, antes de levar esse conhecimento ao mercado corporativo.

    Para Ronan, a capacitação precisa deixar de ser vista como uma ação pontual. Empresas que não planejam o desenvolvimento contínuo de competências podem enfrentar dificuldades para crescer, inovar e manter competitividade. “O líder que não entende a necessidade de investir continuamente no desenvolvimento das pessoas está colocando o negócio em risco”, diz.

    O executivo também defende que habilidades humanas ganham ainda mais relevância em um mundo dominado por tecnologia. Empatia, comunicação, negociação, gestão de conflitos, pensamento crítico e capacidade de inspirar pessoas passam a ser competências tão importantes quanto o domínio técnico.

    Na visão dele, o maior erro de um profissional no meio da carreira é parar de estudar. Escolher uma formação fora da rota pode até abrir novas possibilidades, mas interromper o processo de aprendizagem reduz a capacidade de adaptação em um mercado cada vez mais instável. “Aprender continuamente talvez seja a principal habilidade do futuro”, afirma.

    Para os próximos anos, o IPOG busca se posicionar não apenas como uma marca de ensino, mas como um ecossistema de transformação profissional. A proposta é oferecer diferentes formatos de aprendizagem, de graduações e pós-graduações a cursos rápidos e soluções corporativas, sempre com foco na conexão entre conhecimento, carreira e aplicação prática.

    “O diploma ainda abre portas, mas precisa vir acompanhado de competências aplicáveis. As empresas não olham apenas para o papel. Elas querem saber se o profissional consegue gerar resultado”, conclui.

     





    Fonte: Jovem Pan