O avanço reflete uma mudança mais profunda no comportamento do investidor e na forma como empresas estruturam sua operação no comércio exterior

Se antes o interesse estava concentrado no acesso a fornecedores internacionais e em promessas de alta margem, hoje o diferencial competitivo está na capacidade de execução, na previsibilidade financeira e no suporte estratégico ao empreendedor.
“A decisão deixou de ser sobre o produto e passou a ser sobre quem está por trás da operação”, afirma Luis Muller, fundador da Asia Source, em entrevista à Jovem Pan Business.
Esse movimento tem impulsionado modelos de franquia que vão além da intermediação e passam a atuar como estrutura completa de suporte, especialmente em um ambiente onde o erro custa caro e exige conhecimento técnico.
Na prática, a importação envolve ciclos longos, que podem variar de 90 a 120 dias, além de pagamento antecipado e múltiplas variáveis logísticas, tributárias e regulatórias. Para quem inicia sem orientação, o impacto no caixa pode ser imediato. É justamente nesse ponto que o modelo estruturado ganha relevância.
“A maior dificuldade está na falta de previsibilidade de investimento. Sem isso, o empresário compromete o capital antes mesmo de iniciar as vendas”, explica Muller.
Ao organizar o processo, definir custos reais e orientar decisões como volume, timing e escolha de fornecedores, a franquia reduz incertezas e transforma um processo complexo em uma operação mais controlável.
Outro fator crítico está na formação do custo. Empresas que iniciam por conta própria frequentemente desconsideram impostos, frete e exigências regulatórias, o que compromete a viabilidade da operação. Em modelos estruturados, essa análise é feita antes da compra, evitando distorções e prejuízos.
Há ainda desafios regulatórios relevantes. Produtos sujeitos a certificações podem ser retidos nos portos e, em casos extremos, perdidos integralmente. A atuação preventiva e o conhecimento técnico passam a ser determinantes para evitar esse tipo de risco.
Dentro do franchising, essa evolução consolidou um novo patamar de profissionalização das redes. O crescimento passou a ser sustentado por modelos mais estruturados, com processos definidos, maior previsibilidade e acompanhamento próximo da operação.
“O franqueado entra no negócio com um método claro. Quando há execução consistente, o resultado tende a acompanhar”, afirma.
Esse avanço também fortaleceu os processos de entrada nas redes, com etapas mais estratégicas de alinhamento e preparação, garantindo maior aderência ao modelo e melhor desempenho ao longo da operação.
A trajetória da Asia Source acompanha esse movimento. O modelo ganhou escala durante a pandemia, impulsionado pelo formato home office e pela ampliação do interesse por novos negócios, com quase 100 unidades comercializadas em seis meses.
Hoje, a operação evolui com foco em maturidade, priorizando a qualidade da rede, o desenvolvimento dos franqueados e a atuação em nichos com maior consistência de demanda, como autopeças, pneus e equipamentos de academia.
Ao mesmo tempo, o mercado ainda convive com falta de informação e atuação de operadores despreparados, o que reforça a importância de modelos estruturados. “Nosso papel não é só executar a importação, mas apoiar o cliente na tomada de decisão. Quanto comprar, quando comprar e como comprar”, diz Muller.
O resultado é um reposicionamento claro do setor. A importação deixa de ser vista como oportunidade pontual e passa a ser tratada como operação estratégica, onde estrutura, método e acompanhamento fazem diferença direta no resultado.