Nos dois primeiros meses de 2026, a bolsa brasileira já registrou 13 recordes; bolsa totaliza 17,17% de valorização no primeiro bimestre

Desde maio de 2025, o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa do Brasil, tem renovado frequentemente os recordes. Só no ano passado, foram mais de 32 batidos e uma valorização acumulada de 34% nos doze meses, o melhor desempenho anual desde 2016, quando a performance foi de 39%.
A virada do ano não foi diferente, e o cenário e os alcances continuam aparecendo. Se no ano passado os 164.455,61 pontos alcançados no dia 4 de dezembro já brilhavam os olhos do mercado financeiro, os 191.490,40 pontos conquistados no dia 24 de fevereiro comprovam que há uma retomada gradual da confiança dos investidores e estrangeiros na bolsa brasileira.
Apesar das altas registradas ao decorrer do mês, o Ibovepa fechou fevereiro em queda, saiu do 191 mil pontos que tinha estabilizado no dia 25 e 26, para 188.786,98, baixa de 1,16%, no último pregão do mês. Entretanto, o número não afetou o resultado de fevereiro, que avançou 4,09%, totalizando 17,17% no primeiro bimestre, no que foi o seu melhor desempenho para o intervalo inicial do ano desde 1999.
Nos dois primeiros meses de 2026, a bolsa brasileira já registrou 13 recordes. Com a alta de pouco mais de 4% em fevereiro, estendeu pelo sétimo mês a série positiva iniciada em agosto de 2025, no que é a mais longa sequência vitoriosa do Ibovespa desde a vista entre abril de 1996 e julho de 1997, que totalizou 16 meses.
Os números sinalizam que o Ibovespa está em momento de valorização. Desde o primeiro recorde registrado em 2025, em 13 de maio, quando a bolsa bateu 138.963,11, até 24 de fevereiro, último recorde registrado, houve uma valorização de 37,80%.

Para o estrategista da XP Raphael Figueredo, os recordes do Ibovespa mostram uma boa evolução do nosso mercado. “Tem a ver com esse quadro do trade global, em que o mundo se vê questionando a institucionalidade nos Estados Unidos e reduz parte das suas grandes exportações que existem lá para alocar em outros mercados emergentes competitivos que pagam taxa de juros e possam ser mais competitivos que o mercado americano”, diz.
Figueredo acredita que essa é uma tendência que tende a continuar impulsionada pelo fluxo global que hoje tem sido mais passivamente do que ativa e é algo que deve permanecer em vista do que está acontecendo na dinâmica geopolítica.
A valorização da bolsa brasileira tem relação com uma série de movimentos políticos e globais que afetam diretamente o mercado financeiro. O último recorde, por exemplo, foi registrado no dia em que a Suprema Corte dos Estados Unidos barrou as tarifas do presidente Donald Trump. Medida que resultou na implementação de taxas de 15% por parte do republicano. Ação que deixa o Brasil como o mais bem beneficiado desta ação.
A queda do dólar, que fechou a R$ 5,13 no último pregão de fevereiro – menor resultado desde maio de 2024 – e acumula uma desvalorização de 6,47% no ano, também é uma explicação, assim como a manutenção da taxa Selic em 15%, por parte do Banco Central, e a mudança da presidência do FED (Federal Reserve), o Banco Central dos Estados Unidos. “Em cenário onde o dólar está mais fraco no mundo relativo às outras moedas, o mercado emergente por ter passivos em dólar acaba se beneficiando, assim como o Brasil”, explica Figueredo.
A colunista e comentarista da Jovem Pan, Denise Campos de Toledo, também destaca essa incerteza em relação aos Estados Unidos como um dos fatores que beneficia a bolsa brasileira. “O Brasil tem sido muito favorecido pelo ambiente externo, principalmente pelas incertezas em relação aos Estados Unidos, que têm levado os investidores a buscar outros mercados”, fala.
“Dado o diferencial entre o volume de recursos em circulação pelo mundo e a média negociada no Brasil, mesmo que haja uma distribuição dos investimentos pelos emergentes, em geral, o fluxo que tem chegado à B3 tem ajudado muito a alavancar os sucessivos recordes”, acrescenta.
Selic a 15%
No final de janeiro, no dia 28, O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros em 15% pela quinta reunião seguida, contudo, adiantou que pode reduzir em março, na próxima reunião. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz a decisão.
A Selic está em seu maior patamar em quase 20 anos, ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Selic estava em 15,25% ao ano. A decisão desta quarta já era esperada.
Para Figueredo, a manutenção e flexibilização da Selic “tende a trazer e dar tração para o mercado de capitais aqui no Brasil e servir também como catalisador importante, criando valor”. Em relação aos cortes que o Banco Central pretende fazer em março na taxa de juros, Figueredo adianta que devem ser cinco cortes. “50 pontos base e terminando em 12,5% até o final do ano”, diz o especialista.
Impactos da mudança no FED
Em 30 de janeiro, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou Kevin Walsh como novo presidente do FED, o BC norte-americano, a bolsa brasileira interrompeu o seu crescimento e fechou abaixo do que vinha sendo registrado. O dólar, que estava em queda, subiu.
O anúncio de Walsh balançou o mercado e foi alvo de questionamentos sobre o impacto que poderia criar na economia brasileira.
Para o estrategista da XP, os resultados representam uma tranquilização do mercado, pois havia uma ansiedade grande por parte dos investidores sobre quem substituiria Jerome Powell, que deixa o cargo em maio em meio a tensões com Trump. “Walsh reduziu bastante esse quadro de ansiedade do investidor, o que é bom. Quando você reduz a ansiedade, reduz um pouco esse ambiente de estresse, você naturalmente acaba gerando performance”, explica Raphael Figueredo.
Relembre os recordes do Ibovespa entre 2025 e 2026
- 13 de maio – 138.963,11
- 15 de maio – 139.334,38
- 19 de maio – 139.636,41
- 20 de maio – 140.109,63
- 03 de julho – 140.927,86
- 04 de julho – 141.263,56
- 29 de agosto – 141.422,26
- 05 de setembro – 142.640,14
- 11 de setembro – 143.150,84
- 15 de setembro – 143.546,58
- 16 de setembro – 144.061,74
- 17 de setembro – 145.593,63
- 19 de setembro – 145.865,11
- 23 de setembro – 146.424,94
- 24 de setembro – 146.491,75
- 27 de outubro – 146.969,10
- 28 de outubro – 147.428,90
- 29 de outubro – 148.632,93
- 30 de outubro – 148.780,22
- 31 de outubro – 149.540,43
- 03 de novembro – 150.454,24
- 04 de novembro – 150.704,20
- 05 de novembro – 153.294,44
- 06 de novembro – 153.338,63
- 07 de novembro – 154.063,53
- 10 de novembro – 155.257,31
- 11 de novembro – 157.748,60
- 26 de novembro – 158.554,94
- 28 de novembro – 159.072,13
- 02 de dezembro – 161.092,25
- 03 de dezembro – 161.755,18
- 04 de dezembro – 164.455,61

2026
- 14 de janeiro – 165.145,9
- 15 de janeiro – 165.568,32
- 20 de janeiro – 166.276,90
- 21 de janeiro – 171.816,67
- 22 de janeiro – 175.589,35
- 23 de janeiro – 178.858,54
- 27 de janeiro – 181.919,13
- 28 de janeiro – 184.691,05
- 03 de fevereiro – 185.674,43
- 09 de fevereiro – 186.241,15
- 11 de fevereiro – 189.699,12
- 20 de fevereiro – 190.534,42
- 24 de fevereiro – 191.490,40

O que é o Ibovespa?
Fachada da Bolsa de Valores, B3, no centro da capital paulista │CRIS FAGA/DRAGONFLY PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Criado em 1968, o Ibovespa é utilizado por investidores e analistas como um termômetro da economia e do mercado de capitais no Brasil. Ele apresenta um panorama sobre o comportamento das principais empresas listadas na bolsa e é revisado a cada quatro meses para garantir a presença das companhias que possuem maior capitalização.