Resultado representa um saldo negativo na comparação com a moeda brasileira; Ibovespa cai pelo segundo dia seguido

Depois de atingir o menor valor em 20 meses, o dólar voltou a subir nesta sexta-feira (30) e fechou a R$ 5,24. Apesar da alta no dia, a moeda norte-americana acumulou queda de mais de 4% na semana, o que representa um saldo negativo na comparação com a moeda brasileira.
Na quinta-feira (29), a moeda atingira o menor patamar em 20 meses ao fechar a R$ 5,19 — o menor valor até então havia sido registrado em maio de 2024, quando marcou R$ 5,1539. Na terça e na quarta-feira, o dólar fechou a R$ 5,20.
A valorização da divisa ocorre no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o novo presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano). Kevin Warsh, ex-diretor da instituição, foi o nome escolhido pelo republicano. Ele substituirá Jerome Powell — desafeto de Trump —, cujo mandato à frente do Fed vence em maio.
Ibovespa recua
Pelo segundo dia consecutivo, a bolsa brasileira, que vinha renovando recordes, caiu. O Ibovespa fechou na casa dos 180 mil pontos, segundo o pregão das 17h38. O resultado coincide com a divulgação dos dados do mercado de trabalho: no trimestre encerrado em dezembro, a taxa de desocupação foi de 5,1%, a menor já registrada pela Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) desde 2012.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No pregão anterior, o índice havia fechado aos 183 mil pontos, apesar de ter chegado aos 185 mil durante o dia.
Na taxa anual, o Brasil registrou os seguintes contingentes:
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Empregados do setor privado sem carteira assinada: 13,8 milhões (queda de 0,8% em relação a 2024);
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Trabalhadores domésticos: 5,7 milhões (queda de 4,4%);
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Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões (o maior nível da série histórica).
No acumulado do ano, o Ibovespa, que já registrou oito altas e na quarta-feira (28) ultrapassou os 184 mil pontos, recuou hoje puxado pelas bolsas de Nova York. As duas quedas recentes têm relação com as decisões de juros nos EUA e no Brasil. Na quarta-feira, o Fed manteve a taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano, enquanto o Banco Central do Brasil manteve a Selic em 15% ao ano.
Quem é o novo presidente do Fed?
Warsh, de 55 anos, integrou o Conselho de Diretores do Fed entre 2006 e 2011. O Conselho é o principal órgão da autoridade monetária dos EUA, e todos os seus integrantes participam do Fomc, o comitê que define as taxas de juros no país.
Formado em Políticas Públicas pela Universidade de Stanford e em Direito pela Universidade de Harvard, Warsh também realizou cursos sobre mercado financeiro e de dívida no MIT. No setor privado, trabalhou para o Morgan Stanley entre 1995 e 2002.
Na política, foi assessor econômico de George W. Bush antes de ingressar no Fed, onde auxiliou no resgate financeiro de bancos após a crise de 2008. Posteriormente, integrou a equipe de transição do primeiro mandato de Donald Trump.