Eles criaram marca de doce de leite e hoje faturam R$ 20 milhões por ano

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    A Fazenda Zé Pequeno, em Pouso Alegre (MG), parecia ter os dias contados quando os filhos de José Barbosa Delfino deixaram o campo.

    Contudo, o cenário mudou quando a família decidiu agregar valor à produção leiteira, impulsionada pela herdeira Rosi Barbosa.

    “Meu pai já era produtor havia mais de 60 anos e, naquele momento, estava sozinho na fazenda. Todos os filhos haviam saído do campo. Diante desse cenário, enxergamos na crise uma oportunidade”, diz Rosi, cofundadora da Rocca, marca criada para transformar o leite da fazenda em doce.

    Mais de uma década depois, a empresa consolidou-se com cerca de 40 funcionários, presença nacional em grandes redes como Pão de Açúcar e Swift, e um faturamento que saltou de R$ 200 mil no primeiro ano de operação, em 2015, e ultrapassou a marca de R$ 20 milhões nos últimos 12 meses.

    O segredo? A coerência do propósito “leite, açúcar, amor e só”, como destaca Rosi, focado em ingredientes puros. Junto ao marido, Raphael Figueiredo, ela resgatou uma receita tradicional com 16% de açúcar — menos doce que a média do mercado — para criar um produto equilibrado e fiel ao sabor original.

    “Sempre achamos os doces de leite do mercado excessivamente doces, o que nos incomodava muito. Decidimos desenvolver uma receita com a nossa identidade, mais equilibrada e fiel ao sabor do leite”, afirma Rosi.

    Com a não adição de conservantes e espessantes houve impacto direto na operação, o processo produtivo ficou mais longo e com menor produtividade por lote. “Como respeitamos os processos tradicionais e fundamentais da fabricação do doce de leite, nosso produto leva mais tempo para ficar pronto”, afirma Raphael Figueiredo, sócio da Rocca.

    Doce de leite da Rocca — Foto: Divulgação

    “Foi uma evolução da operação, que passou a operar em outra escala, mas sem abrir mão da essência do produto”, afirma Figueiredo ao se referir à entrada no varejo nacional, o que marcou uma nova etapa para a marca, ao exigir uma operação mais estruturada. A ampliação da escala não alterou o modelo produtivo adotado desde o início, mas exigiu ajustes para garantir o padrão em um volume maior de produção. Segundo Figueiredo, o movimento foi uma consequência natural.

    O crescimento da Rocca também se apoia em uma mudança mais ampla no comportamento do consumidor, que passou a olhar com mais atenção para a composição dos alimentos e para a origem do que consome, avaliam os sócios. “Existe um movimento claro de comer menos, porém melhor. O consumidor está cada vez mais preocupado com o que come. Ele lê rótulos, busca saber a origem e valoriza produtos mais naturais.”

    A Rocca se prepara para a internacionalização. “Nossa principal prioridade é conquistar o selo para venda internacional, mas também temos uma meta ousada de crescimento entre 40% e 50% para o próximo ano, o lançamento de três novos sabores e um foco muito claro em nos tornarmos cada vez mais relevantes dentro da categoria”, diz Figueiredo.