Acordo com a UE abre margem para países da Ásia, Índia e Oriente Médio quererem fazer negócio com Mercosul

    Relacionados

    Compartilhe


    Segundo ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues, acordo, está previsto para ser assinado no dia 17 de janeiro, no começo, não será bom para o agronegócio brasileiro

    WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDOLula e Ursula von der Leyen
    Acordo UE-Mercosul passa a ter cotas nos produtos agríciolas sensíveis

    Ao celebrar a aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi claro ao declarar que a decisão abre caminho para um dos maiores pactos de livre comércio do mundo, isso porque que envolve um mercado combinado de 718 milhões de pessoas e um PIB somado de US$ 22,4 trilhões. O acordo, previsto para ser assinado no dia 17 de janeiro, já é classificado como o maior do mundo, e deve favorecer a indústria europeia, enquanto o agronegócio deve ser o principal beneficiado do lado sul-americano.

    Entretanto, no começo, o negócio não será muito bom para a agricultura brasileira, destaca o professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues, em entrevista à Jovem Pan News. “Não vai ser como a gente gostaria que fosse por várias razões. Primeiro, porque muitos produtos ainda têm cotas. Segundo que, nos últimos dias do ano passado, a Europa colocou algumas salvaguardas em relação à questão agrícola que são ainda mais limitantes, restringem ainda mais o acesso ao mercado”, destaca o professore que acompanhou desde o início a aproximação dos dois blocos.

    Apesar deste ponto negativo, Rodrigues destaca que, por outro lado, é que o acordo abre um precedente muito importante para outros países. “Um acordo negociado com esse vigor, com tanto tempo, com tanto detalhe e delicadeza, abre possibilidade de que grandes países na Ásia, como a Índia, ou países do Oriente Médio, se interessem por acordos com o Mercosul”, disse.

    As expectativas em torno do acordo estão altas. o vice, Geraldo Alckmin, também destacou que o acordo deve impulsionar investimento no Mercosul, já que fortalece o multilateralismo e permite o comércio de produtos mais baratos e de melhor qualidade.  “Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais”, destaca o ministério.

    Entre janeiro e dezembro de 2025, só as exportações brasileiras para a UE somaram US$ 49,8 bilhões, alta de 3,2% em relação ao ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. No mesmo período, as importações atingiram US$ 50,3 bilhões, crescimento de 6,4%.

    cta_logo_jp

    Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp!

    O principal item vendido pelo Brasil ao bloco europeu foram: óleos brutos de petróleo, café não torrado, farelo de soja, minérios de cobre e soja em grã. Já os medicamentos lideraram as compras brasileiras. O acordo, que pode potencializar as exportações brasileiras, principalmente o agro e a indústria, traz alguns prontos principais, como a eliminação de tarifas alfandegárias, que permitirá:

    • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
    • Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;
    • União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 ano.

    E proporciona ganhos imediatos para a indústria, que terá tarifa zero desde o início para diversos produtos industrias, beneficiando setores como:

    • Máquinas e equipamentos;
    • Automóveis e autopeças;
    • Produtos químicos;
    • Aeronaves e equipamentos de transporte

    Em relação aos produtos agrícolas sensíveis, eles passam a ter cotas, ou seja, produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol vão passar a ter cotas de importação, caso ultrapasse o limite estabelecido, serão cobradas tarifas.

    Vale lembrar que um dos pontos do acordo é que produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal. E caso haja alguma violação do Acordo de Paris, o contrato é suspenso.

    Na União Europeia, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil. Já no cenário contrário, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.

    Apesar do aval, ainda é necessário a aprovação do Parlamento Europeu para que o acordo realmente seja concretizado, assim como também é necessária a assinatura do Congresso do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Os países sul-americanos só devem assinar o acordo depois do aval dos europeus.





    Source link