O Canva, gigante global de design avaliada em mais de US$ 45 bilhões, vive um momento de transformação estratégica no Brasil, seu segundo maior mercado no mundo.
Durante o Web Summit, o country manager da companhia no Brasil, Alberto Ceresa, explicou que a empresa deixou de ser vista apenas como uma ferramenta de design para se posicionar como uma plataforma de inteligência artificial, buscando unificar o fluxo de trabalho criativo de microempreendedores e estudantes em um único ambiente.
Para consolidar essa nova fase, a operação brasileira, que agora conta com uma estrutura de liderança local e expansão de equipe, tem apostado em campanhas “Social First” com figuras icônicas do imaginário popular, como Agostinho Carrara. Além do marketing, a educação surge como pilar central, com a oferta gratuita do Canva Pro para instituições e alunos, reforçando o compromisso da marca com a democratização do design e o crescimento orgânico no país. Leia, abaixo, trechos da entrevista.
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IM: Qual é a importância do Brasil para o Canva?
Alberto Ceresa: O Brasil é o segundo maior mercado do Canva no mundo. Temos cerca de 150 pessoas trabalhando aqui. Decidimos fazer um investimento para fortalecer nossa presença, que já existia há 10 anos, mas era mais superficial. Agora, com a criação do cargo de presidente e a expansão do time, focamos em solidificar a base para uma segunda fase de crescimento, com foco especial em educação.
IM: Qual o futuro que você planeja para o Canva e para o Brasil nos próximos anos?
AC: Meu objetivo é ambicioso: hoje, temos uma em cada oito ou nove pessoas usando o Canva no Brasil. Quero chegar a uma em cada duas pessoas. Temos as mesmas potencialidades que o Google teve em sua trajetória de crescimento. Acredito que podemos chegar a esse patamar de penetração, mantendo nosso modelo de negócio sólido e acessível, enquanto investimos pesado em tecnologia e IA.
IM: Seu objetivo de crescimento no Brasil também passa pelo aumento da equipe local e por um espaço maior para a empresa, correto?
AC: Sim. Estamos montando um escritório próprio na interseção da Avenida Faria Lima com a Avenida Juscelino Kubistchek. O objetivo é ter um espaço com a cultura do Canva, onde toda a parte criativa e estratégica seja feita internamente pelo nosso time talentoso, que já tem conquistado prêmios internacionais de marketing.
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InfoMoney: O Canva tem uma estratégia de marketing bastante ousada para destacar sua ferramenta de criação e edição de marca. Já fez campanha com a Xuxa para apresentar o fictício ‘Xuxa Só para Adultinhos’. Também fez o falso lançamento de uma marca de ovos da Gracyanne Barbosa. Mais recentemente, a estrela foi o personagem Agostinho Carrara, da série A Grande Família da TV Globo, criando sua própria confecção. Todas as campanhas tiveram bastante adesão do público. A estratégia é única para o Brasil ou faz parte de um movimento de comunicação da empresa no mundo todo?
AC: O Canva é dividido a nível local e cada região tem independência. A estratégia “Social First” é feita aqui no Brasil. Não inventamos personagens; potencializamos histórias que já existem, como fizemos com a Xuxa, Gracyanne Barbosa e, mais recentemente, o Agostinho Carrara. Conectamos o Canva a essas conversas de forma orgânica e o resultado foi um sucesso, inclusive com um vídeo de mais de quatro minutos que teve alta taxa de retenção.

IM: E no Brasil, qual que é o perfil de usuário que vocês têm?
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AC: Temos muitos microempreendedores. Os pequenos negócios representam mais de 90% das empresas abertas e são responsáveis por mais de 25% do PIB nacional. É um mercado gigante que evoluiu muito.
O Canva também. Anos atrás, era um aplicativo simples de design. Fizemos duas mudanças grandes ao longo dos anos. A primeira, foi mudar de uma plataforma de design, para produtividade, com o lançamento de funções como planilhas e documentos. A segunda grande mudança foi este ano: agora, nos posicionamos como uma plataforma de Inteligência Artificial que trabalha com design. Fizemos muitos investimentos, de bilhões de dólares, para servidores e IA. Isso nos levou a ser a terceira empresa no mundo em uso de IA, depois apenas do ChatGPT e do Gemini.
“O Canva é hoje a terceira plataforma de IA mais utilizada no mundo, atrás apenas de ChatGPT e Gemini”
IM: O Canva, então, se posiciona, agora, como uma empresa de inteligência artificial, brigando com as gigantes do setor?
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AC: Lançamos essa nova estrutura visual em abril, então é muito recente. Estamos começando a perceber essa repercussão agora. O Canva é hoje a terceira plataforma de IA mais utilizada no mundo, atrás apenas de ChatGPT e Gemini. Nosso objetivo é resolver a fragmentação do fluxo de trabalho: o usuário cria, edita e publica tudo em um só lugar, sem precisar alternar entre várias ferramentas.
IM: A rentabilização de vocês continua via assinatura?
AC: Sim. Como filosofia da empresa, temos o produto freemium, que já muito sólido. E temos as assinaturas para clientes e modelo enterprise. Não teremos outro tipo de rentabilização. Também oferecemos assinaturas gratuitas para estudantes e professores como parte do nosso pilar educacional.
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IM: Os preços de assinatura ficam abaixo de outras plataformas de IA. Hoje, o plano mais robusto custa cerca de R$ 50, enquanto plataformas de LLM costumam cobrar cerca de R$ 100. Como existe um investimento alto na tecnologia e mudança de posicionamento da marca, há planos de aumento de preços das assinaturas do Canva?
AC: Pode ser que haja um reajuste no futuro, até pelo custo de inflação anual. Mas são questões de mercado que acontecem com qualquer produto. Não posso garantir que aumentará ou não. Mas, com certeza, há um esforço para que os preços estejam sempre em linha com o que o público pode pagar.
Nossa vantagem com relação a outras empresas de IA é que, hoje, nenhuma delas é lucrativa. Essa é a nossa vantagem competitiva.