na mesma semana, Trump chamou Lula de ‘difícil’ e de ‘volátil’

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    As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana contrariam a “química excelente” vista pelo americano em setembro do ano passado. Trump disse na sexta-feira que Lula é uma pessoa “muito volátil” e que “não poderia se importar menos” com ele. Dias antes, no G7, o americano disse que o Brasil é um “país politicamente difícil”.

    Nesta semana, Lula e Trump se encontraram na cúpula do G7, na França, onde o presidente Lula disse esperar que o americano “não se meta nas eleições” do Brasil.

    Em entrevista ao site americano Axios divulgada na sexta-feira, Trump foi questionado sobre o que definiria um “grande líder” e respondeu:

    — Eu observei o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos. Ele é uma pessoa muito volátil”.

    Utilizada por Trump, a expressão em inglês “volatile” pode ser traduzida para o português como volátil, instável ou imprevisível.

    Trump disse, em seguida, que “não pensa” em Lula:

    — Para ser sincero, não penso nele. Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas agora ele é um tipo diferente de pessoa. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso. Foi um discurso muito volátil, e tudo bem.

    No fim da declaração, Trump pondera e defende que todos os líderes mundiais são “inteligentes”:

    — Você não chega a esse nível sem ser inteligente. Sabe quem é muito inteligente? O presidente Xi (Xi Jinping), da China. Ele é um homem muito inteligente. Você não alcança esses níveis, governando um país, mesmo que seja um país pequeno, sem ter algo especial. Em alguns casos, as coisas não dão certo, mas é preciso ter algo especial. Não é uma tarefa fácil.

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    Durante o encontro da cúpula do G7, Trump disse que conversou com Lula durante o evento e chamou o Brasil de um “país politicamente difícil”. A declaração ocorreu após o americano ser questionado se conversou com o brasileiro sobre o novo tarifaço e a designação pelos Estados Unidos das facções Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.

    O questionamento foi feito pela durante uma entrevista coletiva.

    — Sim, eu passei bastante tempo com ele, na verdade — disse Trump, que não detalhou o conteúdo da conversa. — Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente.

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    Eleições no Brasil e nos EUA

    O americano também fez um paralelo entre os processos eleitorais no Brasil e nos EUA.

    — Eles (Brasil) jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos.

    Ao ser questionado em entrevista coletiva sobre uma declaração de Trump sobre a família Bolsonaro, Lula reagiu:

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    — Ele (Trump) tem direito de ter as preferências eleitorais dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania, só espero isso. Para mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A única coisa que quero é o respeito pelo Brasil.

    Lula ainda fez uma defesa da urna eletrônica e disse que em seu próximo encontro com o americano levará uma urna.

    — A gente não fica como no século passado com voto no papel, uma lista com 500 nomes. Então, se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez eu vou levar a urna eletrônica para mostrar para ele como funciona.

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    Fonte: Jovem Pan