O Irã estreia nesta segunda-feira na Copa do Mundo FIFA 2026 contra a Nova Zelândia em disputa cercada de polêmicas políticas. Após ter arte de sua comissão técnica barrada de entrar nos Estados Unidos e ver sua seleção obrigada a se concentrar no México e atravessar a fronteira apenas na véspera dos jogos, a preocupação agora é com a divisão entre a própria torcida.
O uso — por críticos do regime — da bandeira do país com o desenho pré-Revolução Islâmica, por exemplo, deve ser vedado pela federação internacional de futebol.
A bandeira, com o emblema do leão e do sol, usada antes 1979, é amplamente exibida por membros da diáspora iraniana como símbolo de identidade e protesto contra o governo iraniano, mas é considerada uma afronta pelo governo.
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O site The Athletic consultou a FIFA se bandeiras ou roupas com essas imagens seriam permitidas durante o torneio e teve como resposta que o código de conduta dos estádios proíbe materiais políticos ou discriminatórios. Ou seja, nos estádios e locais oficiais da competição, esses itens são proibidos.
A partida de hoje está marcada para Los Angeles, onde há uma grande comunidade iraniana, em especial no bairro de Westwood. Como mostrou reportagem da Al Jazeera, na comunidade há vários estabelecimentos de propriedade de iraniano, como sorveterias oferecendo o sabor de açafrão, lanchonetes de kebab e livrarias em farsi.
Em quase todas, está estampada a bandeira do leão e do sol do Irã – de antes da revolução de 1979 — ao lado do ocasional retrato da figura da oposição Reza Pahlavi. Assim, a posição política da comunidade contra o governo iraniano é bastante evidente.
Os moradores dizem que a comunidade está dividida porque parte da população vê a equipe de futebol como uma extensão do sistema de governo em Teerã. Por isso, várias manifestações contra a participação do Irã no torneio já aconteceram e há manifestações nesse sentido marcadas para a porta do estadio.
Por outro lado, muitos outros iraniano-americanos só querem assistir ao jogo e estão deixando a política de lado.
Já sobre a proibição pela FIFA da bandeira ou do desenho do sol e do leão pode encontrar problemas de ser cumprida em Seattle, onde o Irã faz seu segundo jogo na competição, contra o Egito.
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O jornal Seattle Times informou que Rebecca Cohen, chefe da divisão jurídica civil da cidade já comunicou a Federação sobre a oposição “à aplicação do Código de Conduta da FIFA de qualquer maneira discriminatória que viole a legislação da cidade, incluindo a proibição da bandeira do Leão e Sol ou de outras bandeiras ou manifestações pacíficas de ideologia política. A prefeita (Katie) Wilson e a procuradora da cidade (Erika) Evans estão alinhadas nessa posição”.
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Segundo o jornal, autoridades da cidade se reuniram com representantes da FIFA no início desta semana “para deixar claro que a legislação de Seattle protege a expressão política pacífica e que a cidade se opõe à aplicação do Código de Conduta da FIFA de qualquer maneira discriminatória que viole a legislação municipal”, disse Alan Pyke, porta-voz de Evans.
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O Institute for Voices of Liberty, organização sem fins lucrativos sediada na Califórnia e contrária ao atual regime iraniano, processou a FIFA na quinta-feira na Corte Superior do Condado de Los Angeles por causa de suas políticas, pedindo “intervenção judicial imediata” em uma questão relacionada à liberdade de expressão.
O técnico iraniano Amir Ghalenoei disse a repórteres no domingo que sua equipe quer representar todos os iranianos dentro e fora quando questionado sobre os protestos previstos dos iraniano-americanos. “Estou muito feliz por representar a forte e orgulhosa nação do Irã”, disse ele.