Desconto do Mounjaro no Brasil traz nova dinâmica no setor e impacta Hypera; entenda

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    A farmacêutica Eli Lilly lançou um programa de descontos em pacotes combinados (combo packs) para o medicamento Mounjaro no Brasil, conforme anunciado na última sexta-feira (12). 

    Segundo relatório do Goldman Sachs publicado nesta segunda (15), a iniciativa é válida tanto para compras em farmácias físicas quanto em plataformas de comércio eletrônico e reduz em até 36% os preços do medicamento na comparação com os valores cobrados fora do combo.

    A estratégia comercial direciona o mercado a entender que houve uma mudança na dinâmica do setor de medicamentos, especialmente aqueles que são para perda de peso e controle do diabetes. 

    De acordo com o Goldman, a decisão sinaliza que a disputa por espaço nas farmácias do país entrou em uma fase de maior agressividade. “Interpretamos o anúncio como um indício de um cenário competitivo mais acirrado no mercado brasileiro de GLP-1 (classe de medicamentos que simulam hormônios da saciedade)”, diz a análise.

    A reação da fabricante Eli Lilly chama a atenção por contrariar as projeções iniciais do mercado financeiro para o produto. Os próprios analistas esperavam patamares de preços bem mais robustos para o remédio no Brasil, sob a justificativa de sua “eficácia marcadamente superior e ao posicionamento premium do Mounjaro”.

    Momento “pré-genéricos”

    Essa movimentação da Eli Lilly acontece logo antes de uma estreia importante no mercado nacional de medicamentos para a perda de peso, que está prestes a receber novas alternativas mais baratas para os consumidores.

    Segundo os analistas do Goldman, a redução no preço do Mounjaro acontece estrategicamente no mesmo período de introdução de um rival nacional. 

    “Também notamos que isso ocorre logo antes do lançamento do Ozivy, da EMS, que está sendo introduzido com descontos promocionais durante seus primeiros três meses e precificado a valores tão baixos quanto R$ 500 a partir do quarto mês (contra cerca de R$ 1.000 para o Ozempic)”, afirmam.

    O Goldman Sachs pondera que o desfecho dessa disputa por faturamento no segmento de GLP-1 ainda depende de futuras aprovações de outras versões genéricas da semaglutida no Brasil. Mesmo assim, a postura da dona do Mounjaro já sobe o nível e atraí atenção para as fabricantes no país.

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    Cenário desafiador para a Hypera

    Além da dinâmica nova, essa reconfiguração nas tabelas de preço do Mounjaro tende a gerar novos obstáculos para a indústria farmacêutica nacional, afetando as projeções de marcas tradicionais brasileiras.

    A análise realizada pelo banco indica que a Hypera (HYPE3) pode enfrentar um cenário de negócios significativamente mais complexo do que as estimativas iniciais previam. “O movimento sinaliza que o ambiente competitivo para a Hypera pode se provar mais desafiador do que o antecipado inicialmente”, aponta o relatório.

    A principal justificativa para esse alerta é o risco de a queda no preço do Mounjaro canibalizar as vendas das marcas baseadas em semaglutida. Como o medicamento da Eli Lilly oferece um nível mais alto de resolução clínica, a redução da diferença de preço pode fazer com que os consumidores migrem de tratamento. 

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    O Goldman Sachs conclui ressaltando que o remédio da farmacêutica estrangeira já vinha canibalizando as vendas dos concorrentes mesmo quando custava bem mais caro. “O produto já vinha ganhando participação de mercado frente às ofertas concorrentes de Semaglutida no mercado, mesmo com um prêmio tão mais elevado”, diz o relatório.



    Fonte: Jovem Pan