As taxas do Tesouro Direto abrem em forte queda nesta segunda-feira (15), num movimento que reverte a lógica que dominou os mercados na semana passada. Com o premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmando que EUA e Irã fecharam um acordo de paz e com a cerimônia de assinatura marcada para 19 de junho, na Suíça, os prefixados voltaram a operar abaixo dos 14,50% ao ano, nível atual da Selic, desfazendo a precificação de alta de juros que havia se instalado na curva.
O Tesouro Prefixado 2029 caiu de 14,50% no fechamento de sexta-feira para 14,32% nesta manhã, recuo de 18 pontos-base. O Prefixado 2032 foi de 14,46% para 14,31%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 de 14,41% para 14,27%. A queda é ainda mais expressiva quando comparada às máximas da semana: o Prefixado 2029 havia chegado a 15,02% na quarta-feira, e agora opera 70 pontos-base abaixo desse pico.
Nos títulos de inflação, o fechamento também foi disseminado. O Tesouro IPCA+ 2040 caiu de 7,31% na sexta para 7,25% nesta segunda. O IPCA+ 2050 recuou de 7,05% para 7,02% e o IPCA+ 2060 com juros semestrais caiu de 7,23% para 7,19%.
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O acordo representa a resolução formal de um conflito que comprimiu a oferta global de petróleo desde fevereiro e foi o principal vetor de pressão sobre a inflação americana, os Treasuries e, por consequência, sobre a curva de juros doméstica. A volta dos prefixados para abaixo dos 14,50% da Selic sinaliza que o mercado retirou da precificação o cenário de alta de juros que havia sido incorporado ao longo das últimas semanas e voltou a trabalhar com a perspectiva de eventual retomada do ciclo de cortes.
O impacto se estende ao mercado de ações e ao câmbio. O Ibovespa sobe mais de 1% na abertura, e o dólar recua, comprimindo adicionalmente os prêmios na ponta longa da curva. A trégua no Oriente Médio reduz o prêmio de risco do petróleo, o que é positivo para o ambiente inflacionário global, mas pressiona os resultados das petroleiras, incluindo a Petrobras (PETR4), cujas ações tendem a reagir de forma inversa ao alívio nos preços do petróleo.
“Esse movimento tende a aliviar a pressão sobre inflação implícita e pode ajudar a reduzir a percepção de risco local, especialmente se o mercado interpretar que a melhora externa veio para ficar”, avalia Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.
“Ainda assim é preciso ter cautela, pois o câmbio deve seguir sensível à combinação entre juros americanos elevados, leitura do Copom e qualquer reversão do acordo no Oriente Médio, então o espaço para apreciação do real existe, mas continua condicionado ao comportamento do dólar lá fora e ao noticiário de risco”, pondera.
Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h30 desta segunda-feira (15):
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Reserva 2036 | SELIC | 01/01/2036 |
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,0743% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 14,32% | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,31% | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,27% | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 8,04% | 15/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,56% | 15/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,25% | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,35% | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,02% | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,19% | 15/08/2060 |