O JPMorgan manteve uma visão cautelosa para o setor brasileiro de autopeças e revisou suas recomendações para algumas empresas do segmento, mexendo com três ações do setor: Tupy (TUPY3), Iochpe-Maxion (MYPK3) e Randoncorp (RAPT4). O banco destacou que o setor acumula queda de 7% no ano, enquanto o Ibovespa avança 6%, em um cenário marcado pelo aumento de 50 pontos-base no custo de capital próprio e pela redução das estimativas para as companhias.
Na avaliação do banco, a receita doméstica deve continuar pressionando os resultados das empresas, já que os juros elevados por mais tempo tendem a limitar o crescimento do PIB brasileiro. Por outro lado, as exportações podem compensar parcialmente esse cenário, impulsionadas pela depreciação de cerca de 5% do real frente ao dólar no último mês.
Diante desse cenário, o JPMorgan elevou a Tupy (TUPY3) e a Iochpe-Maxion (MYPK3) para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), rebaixou a Randoncorp (RAPT4) para underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) e elevou a Mahle Metal Leve (LEVE3) para neutro.
TUPY3 avançou 8,23%, a R$ 14,33, enquanto MYPK3 subiu 4,21%, para R$ 9,15, e LEVE3 ganhou 1,32%, cotada a R$ 33,08. Na direção oposta, RAPT4 recuou 3,35%, a R$ 4,90.
Tupy (TUPY3)
A recomendação da Tupy foi elevada de neutra para overweight, com preço-alvo de R$ 18,00. O JPMorgan cita avanços na governança corporativa, após a nomeação de um novo CEO considerado favorável ao mercado e mudanças no conselho de administração.
O banco também vê melhora no ciclo de caminhões pesados da América do Norte e acredita que suas projeções de lucro por ação para 2027 e 2028, respectivamente 7% e 8% acima do consenso, refletem uma recuperação das margens ainda não precificada pelo mercado.
Iochpe-Maxion (MYPK3)
A recomendação da Iochpe-Maxion também foi elevada de neutra para overweight, com preço-alvo de R$ 12,00.
Segundo o JPMorgan, a recuperação do mercado de veículos pesados na América do Norte deve impulsionar o negócio de componentes estruturais, responsável por cerca de 15% da receita da companhia. O banco enxerga potencial de valorização de 37% e destaca que aproximadamente 66% da receita é gerada fora do Brasil.
Randoncorp (RAPT4)
A Randoncorp foi rebaixada de Overweight para Underweight, e o preço-alvo foi reduzido de R$ 8,00 para R$ 6,00.
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O JPMorgan avalia que o cenário macroeconômico brasileiro, com juros elevados por mais tempo, tende a pressionar os resultados financeiros da companhia, que possui a maior alavancagem entre as empresas cobertas pelo banco. Além disso, vê poucos catalisadores no curto prazo e espera um segundo trimestre fraco, com estimativas de lucro abaixo do consenso.
Marcopolo (POMO4)
O JPMorgan manteve a Marcopolo como sua principal recomendação no setor, reiterando recomendação Overweight e preço-alvo de R$ 9,00. O banco vê potencial de valorização de cerca de 55%, além de dividend yield estimado em aproximadamente 9%, que pode chegar a 13% caso o payout aumente para 75%.
A instituição destaca ainda possíveis ganhos adicionais com o investimento na fabricante norte-americana NFI e com o programa Caminhos da Escola, no qual a companhia conquistou mais de 95% do último leilão, equivalente a 7,5 mil ônibus e mais de R$ 2 bilhões em receitas. Cerca de 45% da receita da empresa vem de mercados internacionais, reduzindo a exposição ao cenário doméstico.
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Mahle Metal Leve (LEVE3)
A Mahle Metal Leve foi elevada de underweight para neutra, embora o preço-alvo tenha sido reduzido de R$ 45,00 para R$ 42,00.
O banco destaca o dividend yield estimado em 8% e potencial de valorização próximo de 30%. Ainda assim, ressalta que cerca de 70% da receita depende do mercado brasileiro, o que deve limitar o crescimento neste ano.
Frasle Mobility (FRAS3)
O JPMorgan manteve recomendação neutra para a Frasle Mobility, reduzindo o preço-alvo de R$ 29,00 para R$ 28,00.
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Embora a empresa tenha mais de 50% da receita proveniente do exterior, funcionando como proteção diante da fraqueza da economia brasileira, o banco vê potencial de valorização mais modesto e reduzidas chances de novas aquisições relevantes no curto prazo devido ao elevado endividamento da controladora Randoncorp.