A SpaceX toca o sino da Nasdaq nesta sexta-feira (12), no que será o maior IPO da história. A empresa de Elon Musk mira captação de US$ 75 bilhões, superando com folga os US$ 29,4 bilhões da Saudi Aramco em 2019, e o mercado já precificando a companhia acima de US$ 1,7 trilhão.
A empresa decidiu reservar até 30% das ações para investidores individuais, o triplo do habitual. Mas o investidor brasileiro que quer uma fatia da empresa se vê diante de um caminho mais estreito do que a promessa sugere. “Em um IPO desse porte, o investidor de varejo brasileiro provavelmente entrará na fila junto com o resto do mundo. A demanda tende a ser muito maior que a oferta disponível”, afirma Fabio Guerra, diretor de novos negócios e estruturação da Hurst Capital, que acompanha o mercado de mega IPOs americanos.
Para quem quer tentar participar, especialistas apontam três caminhos, cada um com suas barreiras, e fazem um alerta: o preço da estreia demanda uma operação quase perfeita.
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Acesso direto improvável ao IPO
O primeiro instinto de muitos investidores é buscar o acesso direto no dia do lançamento. Para isso, a exigência básica é ter presença fora do país. Celso Brandão, CEO e fundador da AVEX AI LAB, explica que “hoje, para um investidor brasileiro participar diretamente de IPOs internacionais, especialmente nos Estados Unidos, normalmente é necessário possuir conta em uma corretora internacional com acesso ao mercado americano”.
No entanto, ter a conta aberta não é garantia de conseguir comprar os papéis na largada. “Na prática, porém, os IPOs mais disputados raramente ficam amplamente disponíveis para o investidor de varejo. Grandes bancos, fundos institucionais e clientes private costumam ter prioridade na alocação das ações”, pontua Brandão. Apesar da proporção incomum de papéis reservados para o varejo, a avaliação é de que ainda será difícil conseguir acesso direto às ações.
Mercado secundário
Diante das portas (quase) fechadas na oferta inicial, a alternativa mais tradicional e viável para o varejo é aguardar o início das negociações na Nasdaq. “Para a maior parte dos brasileiros, o caminho mais comum acaba sendo a compra no mercado secundário, ou seja, após o início das negociações em Bolsa”, orienta Brandão.
Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, concorda que essa é a via mais prudente e acessível para quem não é um investidor institucional. “A nossa sugestão é participar como um investidor de varejo, ou seja, investir após o início das negociações”, aconselha.
É o caminho também indicado por Marcelo Cabral, estrategista-chefe da Stratton Capital: “após o início da negociação nas bolsas americanas, é possível investir diretamente no mercado americano abrindo uma conta de investimento nos Estados Unidos”, diz.
Leonardo Andreoli, especialista em investimentos da Hike Capital, acrescenta que o investidor poderá ainda buscar exposição indireta por fundos globais que incluam SpaceX na carteira. “Para a maioria dos investidores, o caminho mais prudente tende a ser via fundos internacionais ou ETFs globais de tecnologia e inovação, porque reduz o risco de concentração em um único nome”, afirma.
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Estruturas pré-IPO
Para quem deseja antecipar o movimento e não quer brigar por preço no mercado secundário, o mercado financeiro tem criado estruturas alternativas que permitem exposição à empresa antes mesmo de ela tocar o sino da Bolsa.
Saravalle lembra que há opções sendo desenhadas no Brasil para capturar esse momento. “Temos poucos veículos que o investidor pode participar, depende muito da sua corretora, há algumas estruturas digitais, chamadas tokenizadas, tentando participar dessa oferta”.
Andreoli pondera que, antes do IPO, o acesso é muito restrito – em geral, limitado a investidores qualificados ou profissionais, por meio de fundos internacionais, veículos de private equity ou plataformas de mercado secundário de ações privadas. “Mesmo assim, há riscos relevantes: baixa liquidez, prazos longos de resgate, marcação pouco transparente, tíquete mínimo elevado, spread alto e dificuldade de avaliar o preço real da posição”, alerta.
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