Tecnologia já em fase de testes aposta em inteligência artificial como fator decisivo para crescer e competir

Empresas que ainda não utilizam IA de forma estruturada já começaram a perder competitividade no Brasil. A avaliação é de Tallis Gomes, CEO da G4 Educação, que prepara o lançamento de uma plataforma própria de IA com potencial de atingir até 100 mil usuários ainda neste ano.
Empresários que já incorporaram esse tipo de tecnologia passaram a operar em outro ritmo. Decisões são tomadas mais rápido, com base em dados organizados em tempo real, enquanto concorrentes ainda dependem de processos mais lentos. O resultado aparece direto na margem, na produtividade e na capacidade de crescer.
Essa divisão já é visível no mercado: de um lado, empresas que usam IA para ganhar eficiência e escala; de outro, negócios que começam a perder espaço mesmo mantendo o mesmo nível de esforço. “Não tem como alguém competir comigo hoje sem utilizar IA”, afirma.
A ferramenta, hoje em testes com cerca de 500 usuários, atua como um copiloto: organiza tarefas, prioriza decisões e acelera a execução no dia a dia. O movimento marca uma virada no posicionamento do G4. A empresa deixa de atuar apenas com educação executiva e avança como fornecedora de soluções práticas para gestão, com tecnologia integrada à operação.
A nova plataforma é o principal passo nessa direção. O sistema reúne diferentes modelos de inteligência artificial em um único ambiente, mantém o histórico de dados e sugere ações ao longo do dia. A proposta é simples: transformar IA em ferramenta de decisão, não apenas de consulta.
O impacto já aparece nos números. Em três anos, o G4 saiu de cerca de R$ 100 milhões de receita para mais de R$ 500 milhões, com aumento de cerca de 10% no número de funcionários. Segundo Tallis Gomes, o ganho de eficiência está diretamente ligado ao uso de IA na operação.
Para o executivo, o erro de muitas empresas é repetir um padrão antigo: adotar novas tecnologias sem mudar a forma de trabalhar. “O empresário troca a tecnologia, mas não muda a forma de operar”, diz.
Esse descompasso ajuda a explicar por que parte do mercado ainda não captura valor com tecnologia. Mesmo com acesso amplo às ferramentas, muitas empresas seguem usando IA de forma isolada, sem conexão com estratégia e processos.
O resultado é previsível: os mesmos problemas se repetem. Dificuldade de crescer, perda de margem, desafios de caixa e gargalos de gestão aparecem em empresas de diferentes setores. “Resolver problema complexo virou commodity. O que diferencia agora é execução”, afirma.
A tendência, segundo Tallis Gomes, é de aumento dessa distância. De um lado, empresas que incorporam inteligência artificial à operação e ganham escala. De outro, negócios que permanecem presos a modelos tradicionais e perdem competitividade.
Com o lançamento desta plataforma, o G4 aposta justamente nesse cenário. A ideia é reduzir o gap entre saber e fazer, usando IA como apoio direto à tomada de decisão.
Em um ambiente onde informação deixou de ser vantagem, a diferença passa a estar na capacidade de agir. E, nesse novo contexto, a IA deixa de ser diferencial para se tornar requisito básico. E esse é um movimento sem retorno.