Indústria brasileira cresceu 0,9% na comparação com janeiro, mas teve queda de 0,7% contra o mesmo período do ano passado

A indústria brasileira aumentou mais do que o esperado em fevereiro, no segundo mês seguido de alta, recuperando as perdas dos últimos meses de 2025 mesmo diante da política monetária ainda restritiva.
A produção industrial avançou 0,9% em fevereiro na comparação com janeiro, e teve queda de 0,7% contra o mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira (2).
Os resultados foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters de ganho de 0,7% na comparação mensal e de queda de 1,0% na anual.
Em janeiro, a produção teve alta de 2,1% em dado revisado ante o 1,8% informado originalmente pelo IBGE, acumulando nos dois primeiros meses do ano expansão de 3%. Em novembro e dezembro a produção havia recuado 0,1% e 2,0%, respectivamente. Apesar da recuperação, a produção industrial ainda está 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, segundo o IBGE.
“Enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro marcado pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço da produção, possivelmente associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais”, disse André Macedo, gerente do IBGE.
O setor vem enfrentando há tempos um cenário difícil, principalmente com o nível elevado da taxa básica de juros, que restringe o crédito, e analistas não preveem uma grande retomada. No mês passado, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas pregou cautela diante da guerra no Oriente Médio.
Entre as atividades, as principais influências positivas em fevereiro vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,5%).
Entre as grandes categorias econômicas, o destaque foi bens de capital, com alta de 2,3%. A produção de bens intermediários subiu 1,1%, enquanto a de bens de consumo duráveis avançou 0,9% e de bens de consumo semi e não duráveis teve alta de 0,7%.
*Com informações da Reuters