Importação via franquia fica mais exigente e aumenta risco para quem começar sem preparo

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    Fundador da Asia Source afirma que novos investidores subestimam custos, ignoram riscos regulatórios e comprometem o caixa antes mesmo de vender

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    O modelo de franquias voltado à importação passa por um movimento de maior exigência no Brasil, impulsionado por um investidor mais informado e por estruturas que demandam controle rigoroso de custos, prazos e variáveis operacionais.

    Se antes o apelo estava no acesso a fornecedores internacionais e na promessa de margens elevadas, hoje o desempenho depende da capacidade de execução e da previsibilidade financeira. “As pessoas deixaram de olhar só para o negócio e passaram a olhar para quem está por trás dele”, afirma Luis Muller, fundador da Asia Source, em entrevista à Jovem Pan Business.

    Essa mudança se intensifica no comércio exterior, onde o erro tende a ter impacto imediato no caixa. Um dos equívocos mais comuns, segundo o empresário, é tratar a importação como uma compra doméstica.

    Muitos iniciantes ainda encaram o processo como um processo simples, semelhante a uma compra online, ignorando prazos mais longos, pagamento antecipado e riscos logísticos.

    Na prática, uma importação pode levar de 90 a 120 dias, período em que o capital já foi comprometido, mas ainda não houve retorno financeiro. “O maior risco hoje é a falta de previsibilidade de investimento”, diz. Sem esse controle, o empresário se descapitaliza antes mesmo de iniciar as vendas.

    Outro erro recorrente está na formação do custo real do produto. A conta inicial costuma desconsiderar impostos, frete, logística e exigências regulatórias, o que altera completamente a viabilidade da operação.

    Há ainda um risco menos visível, mas crítico. Produtos que exigem certificações específicas podem ficar retidos nos portos. Caso a liberação não ocorra dentro do prazo legal, o prejuízo é integral. “Passou de três meses, vai a perdimento”, conta Muller. Na prática, isso significa que empresas que ignoram essas exigências podem perder 100% do valor investido em uma única importação.

    Esse cenário tem levado empresas do setor a reposicionarem sua atuação. Mais do que intermediar compras, o foco passou a ser a estruturação completa do processo, com análise prévia de viabilidade, definição de custos e apoio na tomada de decisão.

    No franchising, o impacto é direto. O crescimento deixou de ser uma questão de velocidade e passou a depender da consistência do formato e do acompanhamento da rede. “O franqueado compra uma receita. Se ele executar, espera ter resultado. O problema está no acompanhamento”, completa.

    A dificuldade está nos detalhes. Pequenos desvios na execução comprometem o desempenho e nem sempre são percebidos de imediato. Ao mesmo tempo, o franqueado não é um funcionário, o que limita o nível de controle da franqueadora.

    Outro ponto que ganhou peso é o processo de entrada de novos operadores. Expectativas desalinhadas estão entre as principais causas de frustração e baixo desempenho, o que tem levado redes a adotarem etapas mais rigorosas de validação antes da assinatura.

    Segundo Muller, a falta de informação ainda abre espaço para operadores despreparados, o que afeta a percepção do mercado. A presença de “aventureiros” no setor, segundo ele, contribui para experiências negativas e desconfiança entre novos investidores.

    Além disso, fatores estruturais do próprio ambiente brasileiro também influenciam o risco das transações. Diferenças operacionais entre portos e entraves burocráticos impactam diretamente a previsibilidade e o custo das importações.

    O modelo implementado pela Asia Source ganhou tração durante a pandemia, impulsionado pelo formato home office e pela busca por novas fontes de renda. Em seis meses, a empresa comercializou quase 100 unidades, movimento que acelerou a expansão e trouxe novos desafios de padronização.

    Hoje, o cenário é outro. O crescimento segue, mas com foco maior em qualidade e seleção de perfis, além da atuação em nichos mais previsíveis, como autopeças, pneus e equipamentos de academia.

    O movimento reflete uma mudança estrutural no setor. Com mais informação e menos tolerância a erro, o crescimento deixou de estar ligado à abertura de unidades e passou a depender da consistência na execução. Na prática, o avanço das franquias de importação deixa claro que escala sem controle deixou de ser vantagem e passou a ser risco.





    Fonte: Jovem Pan